Ouça o primeiro bloco do programa que foi ao ar neste sábado (2)
O programa Amanaxí, da CBN Ribeirão Preto (90,5 FM) e CBN Araraquara (95,7 FM), discutiu o feminicídio em 2 de novembro de 2019. O debate contou com a participação do médico-psiquiatra Leonardo Fázio Marquete, da advogada Luciana Remoli e da psicóloga Laura Aguiar, responsável pelo NAEM (Núcleo de Atendimento Especializado à Mulher).
Aumento dos Casos e suas Possíveis Causas
O aumento de 44% nos casos de feminicídio no primeiro semestre de 2019, em comparação com o ano anterior, foi o ponto central da discussão. Os debatedores levantaram diversas hipóteses para explicar esse crescimento, incluindo a maior visibilidade do problema devido à maior divulgação na mídia e a possibilidade de uma melhor qualificação dos casos pela polícia, levando a uma maior contabilização como feminicídio.
O Sentimento de Posse e a Evolução dos Relacionamentos
A questão do sentimento de posse masculina e sua relação com a violência foi outro tema abordado. Os especialistas discutiram como a insegurança, a dependência financeira e a falta de modelos de relacionamento saudáveis podem contribuir para o desenvolvimento desse sentimento, que muitas vezes é disfarçado como ciúmes. A evolução dos papéis de gênero e a maior independência financeira das mulheres também foram apontadas como fatores que podem gerar insegurança em alguns homens.
Leia também
- Feminicídio em jabuticabal: Meu neto está lá, precisando dela, lamenta mãe de mulher que morreu após ser agredida por marido
- Cantor sertanejo condenado feminicidio: Cantor sertanejo é condenado a 35 anos de prisão pelo assassinato de dentista em Araras
- Ministério Público denuncia Luiz Antônio Garnica e Elizabete Arrabaça por feminicídio
Prevenção e Ações para Combater o Feminicídio
O trabalho desenvolvido pela Comissão dos Direitos da Mulher na conscientização e na orientação jurídica, bem como o papel do NAEM no acolhimento e acompanhamento das vítimas, foram destacados como ações importantes no combate ao feminicídio. O NAEM oferece suporte psicossocial às mulheres em situação de violência, independentemente de terem feito denúncias ou possuírem medidas protetivas. A importância do atendimento familiar e da reeducação do agressor também foi ressaltada. A discussão abordou a complexidade do problema, sem apontar uma única causa, mas sim a interação de fatores sociais, culturais e individuais.
O debate reforçou a necessidade de um olhar mais amplo sobre a questão, considerando a inteligência emocional, o consumo de álcool e drogas, e a construção de modelos de relacionamento mais saudáveis. A conscientização e a busca por ajuda, tanto por parte das vítimas quanto dos agressores, são fundamentais para reduzir os números de feminicídios.



