Ouça o segundo bloco do programa deste sábado (17)
Neste sábado, o programa Almanac CBN debateu a violência desenfreada que assola diversas regiões do Brasil, especialmente após o anúncio da intervenção federal no Rio de Janeiro. Para discutir o tema, o programa contou com a participação do Major Marco Aurélio Gritti (Polícia Militar de Ribeirão Preto), do sociólogo Vlaumir de Souza e do pesquisador Aristides Marquette Filho (Observatório da Violência).
Violência contra a mulher: um aumento nas denúncias
A discussão começou com o tema da violência doméstica e contra a mulher. Segundo o Major Gritti, apesar da subnotificação de casos, há um aumento significativo nas denúncias. Isso se deve, em parte, à maior segurança das mulheres em procurar ajuda, impulsionada pelas discussões em torno do tema e pelo aperfeiçoamento da legislação. A Polícia Militar tem buscado melhorar o atendimento, com o uso de policiais mulheres para atender casos envolvendo mulheres e crianças, além da parceria com instituições assistenciais e ONGs.
A raiz social da violência: um problema estrutural
O sociólogo Vlaumir de Souza contextualiza a violência contra a mulher dentro de um modelo patriarcal enraizado na história brasileira. A violência, segundo ele, é frequentemente perpetrada por homens próximos à vítima, muitas vezes com a omissão de outros familiares. A violência simbólica, como a humilhação e a desvalorização, também é um problema recorrente e pode preceder a violência física. A falta de políticas públicas efetivas de proteção à mulher agrava a situação, pois muitas mulheres precisam retornar para o convívio com seus agressores após a denúncia. O pesquisador Aristides Marquette Filho discorda, parcialmente, dessa visão, argumentando que a violência é um instinto básico presente no ser humano, que pode ser exacerbado em situações de penúria ou ameaça. Ele destaca a importância do aprimoramento do código penal, mas também ressalta a necessidade de uma mudança de mentalidade e de investimentos sociais mais amplos.
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O sistema carcerário e a violência generalizada
A superlotação do sistema carcerário brasileiro, com aproximadamente 750 mil presos, muitos em prisão provisória, é outro ponto crítico. Vlaumir de Souza destaca a necessidade de separar os presos por tipo de crime e facção para evitar a proliferação da violência dentro das prisões. Aristides Marquette Filho complementa, afirmando que a violência carcerária é um reflexo da violência social, com raízes profundas na história e na cultura brasileira. A violência rotineira, presente em diversos aspectos da vida brasileira, é um fator crucial na perpetuação do ciclo de violência. O programa finaliza com um apelo para a valorização dos profissionais de segurança pública e para a reconstrução da confiança da população nas instituições, como forma de combater a violência e evitar tragédias como as que têm ocorrido no Rio de Janeiro.



