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O programa Almanac da CBN, de 17 de fevereiro de 2018, debateu a violência no Brasil, apresentando dados alarmantes: cinco pessoas mortas a cada hora por armas de fogo. A gravidade da situação levou à intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro.
Causas da violência: um problema multifacetado
Para especialistas convidados, a violência não é um ato isolado, mas resultado de diversos fatores sociais e culturais. O sociólogo Vlaumir de Souza destacou a comparação com os EUA, onde o porte de armas é legalizado e os índices de homicídios são menores. Ele argumenta que a legislação mais severa no Brasil não é suficiente para conter a violência, apontando para a necessidade de se entender as questões sociais e cognitivas por trás do problema. A pesquisa de 20 anos de Souza ainda não apontou uma causa principal, mas sim a complexidade de fatores envolvidos.
Políticas públicas e a luta de classes
Vlaumir de Souza criticou o corte de políticas públicas, argumentando que a pobreza e a desigualdade de patrimônio são determinantes fundamentais da violência. Ele comparou a situação brasileira com países europeus, onde políticas sociais de longo prazo sustentam populações inteiras, em contraste com o Brasil, onde políticas sociais são vistas como compra de votos e geradoras de “vagabundos”. O sociólogo ressaltou a necessidade de políticas públicas efetivas e contínuas para combater a pobreza e a miséria, que são o caldo de cultura da violência.
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O papel da polícia e das facções criminosas
O Major Marco Aurélio Gritte, da Polícia Militar, corroborou a análise, afirmando que a desigualdade social concentra a violência em determinadas comunidades. Ele destacou a importância de uma abordagem multidisciplinar da segurança pública, envolvendo sociologia, psicologia, direito e saúde. Gritte também apontou o endurecimento da legislação como necessário, mas ressaltou a ineficiência de medidas pontuais sem uma abordagem sistêmica. A discussão incluiu o impacto das facções criminosas, que se expandem para além dos grandes centros, cooptando jovens e criando um ciclo vicioso de violência e pobreza.
Em suma, o debate evidenciou a complexidade do problema da violência no Brasil, apontando para a necessidade de uma abordagem multifacetada que inclua políticas públicas eficazes, combate à desigualdade social, e uma compreensão mais profunda das causas sociais e cognitivas da violência. A solução requer uma ação integrada de diversas áreas, ultrapassando o âmbito estritamente policial.



