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Almanaque CBN discute a contratação de médicos estrangeiros

Ouça o 1º bloco do programa de 13 de julho
A contratação de médicos estrangeiros
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A saúde pública no Brasil enfrenta desafios históricos relacionados à escassez de médicos e à insuficiência da infraestrutura adequada. Em meio a protestos em diversas cidades, o governo federal tem adotado medidas para enfrentar essas dificuldades, como a contratação de médicos estrangeiros, o aumento da oferta de cursos de medicina e a obrigatoriedade de atuação dos recém-formados no Sistema Único de Saúde (SUS).

Em entrevista à CBN, o sociólogo e neurologista Dr. Stenio José Correia Miranda, A contratação de médicos estrangeiros, ex-secretário de saúde de Ribeirão Preto, destacou que a cidade possui um número de médicos acima da média nacional, com cerca de quatro profissionais para cada mil habitantes. Por essa razão, Ribeirão Preto não pretende aderir ao programa federal de contratação de médicos estrangeiros, conhecido como “Mais Médicos”. Além disso, o município está fora da lista dos que receberão parte dos R$ 2,5 bilhões destinados à reforma e construção de unidades de saúde, pois já conta com diversas unidades em construção e reforma, conforme seu planejamento municipal.

Planejamento e financiamento municipal: Dr. Stenio explicou que Ribeirão Preto mantém um plano quadrienal de saúde que orienta a alocação de recursos para construção, reforma e manutenção das unidades de saúde. Segundo ele, o custo para construir uma unidade de saúde de porte médio varia entre R$ 1,3 milhão e R$ 1,5 milhão, sem contar os custos contínuos de manutenção e custeio, que não são cobertos pelos investimentos federais, os quais são destinados apenas à infraestrutura.

Ele ressaltou que 56% dos investimentos em saúde no Brasil são provenientes da iniciativa privada, beneficiando cerca de 48 milhões de brasileiros que possuem plano de saúde e têm acesso a quatro vezes mais médicos do que os 150 milhões que dependem exclusivamente do SUS, que recebe menos da metade dos investimentos totais.

Distribuição desigual de médicos: O ex-secretário destacou que o problema no Brasil não é a quantidade total de médicos, mas a concentração desigual desses profissionais. Há maior presença em grandes centros urbanos e regiões litorâneas, enquanto áreas do interior e periferias enfrentam escassez. Em Ribeirão Preto, especificamente, há carência de médicos clínicos gerais, profissionais generalistas essenciais para atender a maioria das demandas da população.

Sobre a formação médica, Dr. Stenio observou que o modelo atual privilegia a superespecialização, desestimulando a carreira de clínico geral, considerada a especialidade mais complexa por exigir conhecimento amplo em diversas áreas da medicina. Ele afirmou:

“A formação médica atual privilegia a superespecialização, o que desestimula a carreira de clínico geral, que é fundamental para o atendimento primário.”

Importância do SUS e desafios futuros

Dr. Stenio ressaltou que o SUS será o maior empregador de profissionais de saúde no futuro, apesar dos desafios financeiros e políticos enfrentados pelo sistema. Ele destacou a importância do pacto político e social para a sustentabilidade do SUS, que preconiza a universalidade, equidade e integralidade no atendimento.

O ex-secretário reconheceu que, embora ocorram falhas e atrasos no atendimento, como filas e esperas em postos de saúde, esses problemas são comuns em sistemas de saúde mundialmente e refletem a complexidade do serviço.

Medidas municipais para ampliar o atendimento: Para lidar com demandas que não são estritamente médicas, a Secretaria de Saúde de Ribeirão Preto tem implementado serviços de assistência social e psicológica em unidades de pronto atendimento (UPAs), visando atender pessoas cujas necessidades são de ordem social ou psicológica.

Além disso, o município realizou recentemente um concurso público que aprovou cerca de 300 médicos, incluindo clínicos gerais, emergencialistas, pediatras e psiquiatras. Esses profissionais serão chamados gradativamente para reforçar o atendimento na rede municipal.

Entenda melhor

O programa federal “Mais Médicos” foi criado para suprir a falta de profissionais em municípios com carência, mas sua adesão depende da situação local. Em Ribeirão Preto, a oferta de médicos é considerada suficiente, e o município prioriza o planejamento e a manutenção das unidades de saúde já existentes e em construção.

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