Ouça o programa que foi ao ar neste sábado (21), às 11h, em 90,5 FM e pelo site
Neste sábado, 8 de dezembro de 2018, o programa Almanaque e CBN discutiu um tema polêmico e de grande interesse social: a Escola sem Partido. A discussão teve como foco o que realmente está em debate e a busca por um entendimento entre famílias e professores.
Embates entre Famílias e Professores: Um Obstáculo à Educação?
A professora Bianca acredita que as discussões sobre a Escola sem Partido geram conflitos entre famílias e professores, que poderiam unir forças em prol da educação. Desde a Constituição Federal de 1988, o princípio da gestão democrática na escola tem sido defendido, embora os desafios para alcançar uma escola mais participativa sejam grandes. Apesar disso, existem experiências bem-sucedidas de participação familiar, como a da escola municipal Amorim Lima, em São Paulo, onde famílias e profissionais dialogam e expõem pontos de vista divergentes.
A Escola sem Partido: Censura e Desconfiança
A professora Bianca destaca que a participação das famílias na escola não deve significar vigilância ou controle. O movimento Escola sem Partido, também conhecido como Escola com Mordaça, parte de um pressuposto de desconfiança que prejudica a relação pedagógica e o desenvolvimento da cidadania e da tolerância. O lançamento de um manual de defesa contra a censura na sala de aula é visto como um sintoma grave da sociedade.
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A Busca por um Equilíbrio entre Famílias, Professores e Escola
O professor João Luiz analisa que a sociedade mudou a forma de educar as crianças, delegando à escola a responsabilidade que antes era compartilhada com a família. Ele observa um conflito de perspectivas e uma tentativa de monitoramento dos professores pelas famílias. A Escola sem Partido, ao propor restrições ao trabalho docente, como a proibição de incitar a participação em movimentos sociais, ignora a necessidade de construir consciência cidadã nos alunos. O professor João Luiz critica a falta de investimento na formação de professores e a desvalorização da profissão, destacando a necessidade de melhores condições de trabalho e salário para os educadores. Ele argumenta que a discussão sobre a Escola sem Partido desvia a atenção de problemas mais urgentes na educação, como a desigualdade e a falta de recursos. A professora Bianca reforça a importância do diálogo entre famílias e professores, mas ressalta a necessidade de papéis distintos e a intenção ideológica por trás do movimento Escola sem Partido, que busca desviar o foco das reais necessidades da escola pública. Ambos os professores concordam que a discussão sobre a Escola sem Partido obscurece problemas estruturais mais importantes, como a desigualdade social e a precariedade das condições de trabalho dos professores. A falta de investimento na educação e a desvalorização da profissão docente são apontadas como fatores cruciais para a crise no sistema educacional. A solução, portanto, passa por um olhar mais amplo e abrangente sobre as questões educacionais, buscando um equilíbrio entre liberdade individual e igualdade coletiva, e reconhecendo a escola como um espaço plural e diverso.



