Ouça o programa que foi ao ar neste sábado (8), às 10h, em 90,5 FM e pelo site
O programa Almanac, da CBN, discutiu em 8 de dezembro de 2018 a polêmica em torno do movimento Escola Sem Partido. A professora Bianca Correia (USP) e o professor João Luís Passador (USP) analisaram o tema, focando nos impactos e implicações dessa proposta.
Equívocos do Movimento Escola Sem Partido
A professora Bianca destaca a contradição inerente ao nome do movimento. Embora afirme ser a favor de uma escola sem partido, na prática, os projetos de lei analisados demonstram o objetivo de impor a ideologia de um grupo específico, restringindo a pluralidade de ideias. A professora ressalta a inconstitucionalidade desses projetos, que ferem o princípio do pluralismo de concepções pedagógicas e a liberdade de ensinar e aprender, garantidos pela Constituição Federal (artigo 206).
A Visão de Professores e Especialistas
O professor João Luís expressa sua preocupação com a falta de pertinência e razão das propostas do movimento. Ele argumenta que a neutralidade é impossível na educação, principalmente em áreas como as ciências humanas, e que o discurso de uma escola “sem ideologia” é equivocado. Para ele, a riqueza da diversidade e a liberdade de escolha são fundamentais no processo educacional. O professor também critica a visão prescritiva da educação apresentada pelos defensores do movimento, que não levam em conta a experiência prática em sala de aula.
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Interesses por Trás do Movimento
Ambos os professores apontam a hipocrisia do movimento, que, apesar de alegar neutralidade, apresenta viés político-partidário e religioso. Há interesses econômicos e de grupos específicos por trás da proposta, que buscam impor uma visão moralista e restritiva à educação, limitando o debate sobre temas como gênero e política. A professora Bianca menciona a manipulação do conceito de “doutrinação” e a necessidade de focar nos problemas reais da educação, como falta de infraestrutura e salários dignos para os professores.
Em suma, a discussão revela a importância da pluralidade de ideias na educação e a necessidade de combater propostas que buscam restringir a liberdade de ensino e aprendizagem, prejudicando a formação crítica dos alunos. A participação das famílias é fundamental, mas não deve se sobrepor aos direitos e à autonomia profissional dos professores.



