Ouça o 1º bloco do programa de 15 de fevereiro
O programa Amanaque CBN, em sua edição de 15 de fevereiro de 2014, abordou um tema crucial: o comportamento violento na sociedade. Para discutir essa questão complexa, o programa recebeu o sociólogo Ubaldo Silveira, o mestre em psicologia social João Roberto de Araújo, e o capitão da Polícia Militar Marco Aurélio Grit.
A Escalada da Intolerância e a Justiça com as Próprias Mãos
Um dos pontos centrais da discussão foi o aumento da intolerância e a crescente tendência de “justiça com as próprias mãos”. Casos de violência, como os ocorridos no Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Simão, levantaram a questão: essa onda de violência é apenas uma fase, ou é um reflexo de algo mais profundo e persistente na sociedade?
Ubaldo Silveira expressou sua preocupação com a juventude, que testemunha atos de violência e vandalismo. Ele ressaltou a importância das manifestações como um direito, mas alertou para o uso da violência como forma de expressão. O sociólogo mencionou um caso trágico em Ribeirão Preto, onde um jovem morreu durante uma manifestação pacífica, um evento que, segundo ele, parece estar caindo no esquecimento.
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O Clima nas Ruas e a Perda da Reflexão
O Capitão Grit, por sua vez, compartilhou sua experiência nas ruas, descrevendo um clima de intolerância generalizada. Ele observou que as pessoas estão mais estressadas e reagem de forma exagerada a situações banais, como discussões de trânsito. Segundo o capitão, essa intolerância pode ser a causa de problemas mais graves.
João Roberto de Araújo, o psicólogo, destacou a importância de compreender as origens da violência. Ele argumentou que a violência é uma construção cultural e que as experiências negativas na infância, como a rejeição, o abuso e a falta de afeto, podem levar a comportamentos violentos. O psicólogo enfatizou a necessidade de uma educação emocional, que ensine as pessoas a lidar com suas emoções de forma saudável.
O Papel do Estado e a Frustração da Sociedade
Ubaldo Silveira criticou a omissão do Estado diante da violência institucionalizada. Ele argumentou que o governo não está investindo o suficiente em educação e saúde, preferindo gastar recursos em eventos como a Copa do Mundo e o Carnaval. O sociólogo ressaltou a importância de combater a violência com educação, e não com mais violência.
O Capitão Grit complementou a fala de Ubaldo, descrevendo situações alarmantes presenciadas nas ruas, como crianças simulando tiros contra policiais e a banalização da violência. Ele destacou a importância da formação humanista dos policiais militares, que buscam evitar o confronto e preservar a vida.
Em suma, o debate no Amanaque CBN revelou a complexidade do problema da violência na sociedade brasileira, apontando para a necessidade de um esforço conjunto do Estado, da sociedade civil e das famílias para promover a educação, a tolerância e o respeito aos direitos humanos. A discussão levantou questões cruciais sobre as origens da violência, o papel do Estado e a importância da educação emocional.



