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A crise econômica no Brasil e seus reflexos regionais foram o tema central de um debate com o professor doutor Alberto Boges Matias (USP), Guilherme Feitosa (CSP Fiesp) e Pitágoras Daron (professor em direito e urbanismo), na CBN.
A Indústria e a Perda de Valor Agregado
Guilherme Feitosa destacou a situação da indústria brasileira, exemplificando com o setor de celulose. O Brasil, apesar de ser um grande produtor de celulose, perdeu a produção devido a um mercado desleal, deixando de reter a riqueza no país. Antes, exportávamos papel, gerando valor agregado, empregos, divisas e impostos. Hoje, somos grandes exportadores de matéria-prima, mas importamos papel, invertendo a lógica e diminuindo o valor agregado. A gestão pública deve trabalhar para valorizar e agregar valor aos produtos brasileiros, como no caso do café, onde a Alemanha se destaca na exportação de café solúvel sem sequer produzir o grão.
Educação e Segurança Pública
Ainda conforme Feitosa, dentro do CSP, discute-se a política de segurança, inspirada no modelo europeu de presídios transformados em museus. A solução para a criminalidade é investir em educação, formando cidadãos capacitados que preferirão trabalhar e construir um futuro em vez de cometer crimes. Construir cadeias não resolverá o problema, pois não haverá capacidade para tantos criminosos. É essencial investir em educação e ter uma gestão pública eficiente.
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Planejamento e Participação Cidadã
Alberto Bordes Matias ressaltou a importância do planejamento, algo que não está na cultura do brasileiro. Enquanto países como EUA, Japão e China planejam a longo prazo (100 anos), no Brasil, o orçamento é entregue tardiamente. Empresas também sofrem com a falta de planejamento. É fundamental ter uma visão de futuro para guiar empresas e políticas econômicas. A participação cidadã é crucial, envolvendo-se em comissões e audiências públicas para defender uma sociedade mais justa e equilibrada. Matias mencionou um projeto de controle do estado desenvolvido pela USP, que obriga as prefeituras a apresentar dados financeiros a cada quatro meses, mas a participação popular nessas apresentações é mínima.
Crise, Planejamento e Desenvolvimento Regional
Pitágoras Daroncky refletiu sobre o planejamento, mencionando o rápido crescimento populacional e urbanização do Brasil, sem a devida infraestrutura social, resultando na periferização das cidades. O planejamento no Brasil é político, sem continuidade, e precisa ser técnico. Ele citou o plano diretor de Ribeirão Preto, que aguarda votação na Câmara desde março. Daroncky defendeu que a política deve ser um serviço à cidade, não o contrário. Ele também abordou a expansão das cidades e a necessidade de um planejamento regional, com integração entre os municípios, citando exemplos de conurbações com Jardinópolis e Cravinhos. O Estatuto da Metrópole é um bom projeto, mas Ribeirão Preto não tem característica de metrópole, polarizando de forma perversa e impedindo o desenvolvimento de outros municípios.
Em suma, os debatedores concordaram na necessidade de um planejamento estratégico de longo prazo, descentralização do poder, investimento em educação e participação ativa da sociedade para superar a crise e construir um futuro melhor para o país.



