Ouça o 2º bloco do programa de 29 de junho
Em debate promovido ao vivo pela Rádio CBN Ribeirão Preto, O transporte coletivo em Ribeirão Preto, especialistas e ouvintes discutiram a situação do transporte coletivo na cidade, abordando questões relacionadas à gestão, qualidade do serviço, transparência e perspectivas para o futuro do sistema.
Críticas à gestão atual e à qualidade do serviço
O ouvinte Rodrigo Leone criticou a permanência das mesmas empresas no consórcio responsável pela operação das linhas de ônibus em Ribeirão Preto. Segundo ele, O transporte coletivo em Ribeirão Preto, o sistema apresenta falta de estrutura, serviço de baixa qualidade e tarifas elevadas. Leone sugeriu o cancelamento da licitação vigente e a realização de um novo processo licitatório que assegure um transporte público mais eficiente e transparente.
Falta de transparência e necessidade de planejamento: O advogado especialista em trânsito Ademar Padrão destacou a ausência de transparência nas licitações e nos contratos do transporte coletivo. Ele apontou que não há indicadores de desempenho claros nem fiscalização efetiva dos serviços prestados. Para Padrão, a redução de custos não deve ocorrer pela diminuição da mão de obra, pois isso prejudica o serviço e sobrecarrega os motoristas.
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Além disso, o advogado sugeriu a ampliação do número de terminais para melhorar a interligação entre os bairros, evitando a concentração dos deslocamentos no centro da cidade. Ele ressaltou que a fiscalização dos contratos deve ser realizada pelo poder público municipal, que tem a obrigação constitucional de garantir a qualidade do serviço concedido.
Ademar Padrão criticou a administração municipal atual por permitir a continuidade do controle do sistema por grupos privados tradicionais e defendeu maior participação da sociedade civil na fiscalização e na transparência dos contratos.
Estudos e propostas para melhorias
O professor André Lucirton Costa, da Faculdade de Economia e Administração da USP, está participando de um estudo solicitado pelo Ministério Público para analisar a estrutura de receitas e custos do sistema de transporte coletivo em Ribeirão Preto. O objetivo é fornecer subsídios para decisões relacionadas a reajustes tarifários.
Entre as melhorias discutidas estão a implantação de corredores exclusivos para ônibus, o uso de GPS para informar os usuários em tempo real, investimentos na infraestrutura dos terminais e a adoção de frotas com combustíveis menos poluentes. Também foi mencionada a possibilidade de tarifas diferenciadas em domingos e feriados, prática já adotada em cidades como Curitiba.
Desafios estruturais da mobilidade urbana: A professora e economista Rosalinda Siedian destacou que a mobilidade urbana em Ribeirão Preto enfrenta desafios estruturais, como a ausência de um plano municipal de mobilidade urbana, exigido pela lei federal nº 12.587/2012. Ela ressaltou a necessidade de ações de engenharia de tráfego, incluindo a sincronização de semáforos e a sinalização adequada.
Rosalinda também questionou a viabilidade do uso de ônibus articulados nas vias da cidade, apontando que, mesmo com tarifas reduzidas, a mobilidade pode continuar insatisfatória sem um planejamento integrado e uma gestão eficiente do sistema.
Considerações da categoria dos motoristas: O presidente do sindicato dos motoristas de Ribeirão Preto, João Henrique Bueno, abordou a retirada dos cobradores dos ônibus desde 1982 e a resistência da categoria à modernização que resultou na eliminação de cerca de 600 postos de trabalho. Ele criticou a falta de políticas públicas voltadas ao transporte coletivo na cidade, a ausência de faixas exclusivas para ônibus e a precariedade dos terminais.
João Henrique mencionou ainda que a recente concorrência pública para o transporte coletivo não prevê o retorno dos cobradores, apenas a contratação de vendedores de bilhetes em pontos específicos.
Contexto político e participação cidadã: O debate também abordou o contexto político nacional, destacando a queda na aprovação da presidente Dilma Rousseff, atribuída à insatisfação popular com a qualidade dos serviços públicos e à percepção de corrupção. Os especialistas ressaltaram a importância da participação cidadã e da fiscalização dos representantes eleitos para promover mudanças efetivas no transporte coletivo e em outros serviços públicos.
Panorama
Ao final do debate, os convidados enfatizaram a necessidade de paciência e racionalidade para a implementação das melhorias no sistema de transporte coletivo de Ribeirão Preto, reconhecendo que mudanças estruturais demandam tempo e planejamento cuidadoso. A participação ativa da sociedade civil e a transparência na gestão são apontadas como fundamentais para a evolução do serviço.



