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Almanaque CBN discute os protestos em Ribeirão e em todo o país

Ouça o 2º bloco do programa de 22 de junho
Os protestos em Ribeirão e
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Em debate promovido pela CBN Ribeirão Preto, Os protestos em Ribeirão e em todo o país, especialistas e representantes de movimentos sociais discutiram as manifestações que ocorrem na região, destacando que, embora a pauta inicial do Passe Livre tenha sido o valor da tarifa do transporte público, as mobilizações ampliaram suas reivindicações para questões mais amplas relacionadas à vida cidadã, como educação, saúde, segurança urbana e qualidade de vida nas cidades.

Ampliação das pautas e participação cidadã

O professor Elmir de Almeida, Os protestos em Ribeirão e em todo o país, da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que o sistema político brasileiro ainda não está preparado para responder a essas demandas e que as manifestações não devem parar, pois refletem problemas históricos não resolvidos.

“As manifestações refletem problemas históricos não resolvidos e a participação popular é fundamental para a transformação social”, destacou o professor, que também criticou a forma como a mídia tem tratado o movimento, muitas vezes negando seu caráter político.

O sociólogo Delsson Ferreira ressaltou que as novas tecnologias de comunicação, especialmente utilizadas pelos jovens, têm permitido uma forma diferente de fazer política, com liderança horizontal e participação direta, sem a necessidade de líderes tradicionais. Segundo ele, o movimento não representa anarquia, mas sim uma insatisfação com a forma atual da democracia e da política no país.

Impactos econômicos e imagem do Brasil: Sobre os impactos econômicos das manifestações, como prejuízos a lojas e ameaças à realização da Copa das Confederações, Delsson Ferreira questionou a ideia de que as manifestações estariam prejudicando a imagem do Brasil no exterior.

“A imagem positiva construída internacionalmente não reflete a realidade vivida internamente”, afirmou o sociólogo, ressaltando que as manifestações expressam uma crítica legítima às condições sociais do país.

Investigação do aumento da tarifa e resposta do Ministério Público: O Ministério Público marcou uma reunião para discutir o aumento de 11,53% na tarifa do transporte coletivo em Ribeirão Preto, que entrou em vigor em janeiro. O promotor Sebastião Sérgio da Silveira abriu um inquérito civil para investigar o reajuste, que elevou o valor da passagem de R$ 2,75 para R$ 2,90, acima do previsto em contrato. A possibilidade de ação civil pública para cancelar o aumento também não está descartada.

Organização e desafios do movimento: Juliana Escridelli, do Movimento Passe Livre, explicou que o movimento reivindica o passe livre para toda a população, não apenas para pessoas carentes, defendendo o acesso universal ao transporte público.

“Há uma falta de diálogo do poder público com os usuários e ausência de discussões com os empresários do setor”, criticou Juliana, destacando a necessidade de maior interlocução para resolver as demandas.

Estevan Campos, do coletivo Juntos, ressaltou a ausência de líderes formais no movimento e a necessidade de construir uma agenda clara e objetiva de demandas. Ele destacou o desafio de evitar que bandeiras partidárias enfraqueçam os objetivos das manifestações.

Os debatedores concordaram que o momento atual exige a construção coletiva de pautas concretas, com as bandeiras partidárias sendo deixadas em segundo plano para manter o diálogo aberto com a sociedade. Também foi ressaltado o papel da grande mídia e de setores conservadores em tentar deslegitimar o movimento, inclusive negando a participação de organizações sociais e movimentos de esquerda.

O sociólogo Delsson Ferreira afirmou que, apesar da desilusão com os partidos políticos, eles continuam sendo atores centrais no sistema político e que o movimento exige uma revisão na forma de fazer política. Juliana Escridelli destacou a dificuldade dos manifestantes em articular reivindicações pontuais e práticas, apesar de defenderem causas amplas como saúde, educação e combate à corrupção.

O coletivo concordou que não há evidências de golpe de Estado em curso, rejeitando teorias conspiratórias que circulam nas redes sociais. O movimento deve focar na construção de uma agenda crítica e transformadora da sociedade, com participação coletiva e diálogo aberto.

Durante o debate, foi lembrado o falecimento de Marcos, manifestante que morreu durante ato na quinta-feira, e a necessidade de combater a violência e a intolerância contra os manifestantes. O próximo encontro do movimento está marcado para terça-feira às 18 horas, com detalhes a serem divulgados.

Entenda melhor

O debate contou com a participação do sociólogo Delsson Ferreira, do professor Elmir de Almeida, da representante do Movimento Passe Livre Juliana Escridelli e do integrante do coletivo Juntos, Estevan Campos. As manifestações em Ribeirão Preto refletem demandas históricas da população por melhorias em serviços públicos e qualidade de vida. O movimento, marcado por liderança horizontal e uso de tecnologias digitais, busca ampliar o debate político e social, apesar dos desafios de organização e da resistência do sistema político tradicional. O Ministério Público acompanha o reajuste da tarifa do transporte coletivo, enquanto os manifestantes planejam novas ações para continuar suas reivindicações.

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