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Almanaque CBN discute os protestos em Ribeirão e em todo o país

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Os protestos em Ribeirão e
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Na última semana, diversas cidades brasileiras foram palco de mobilizações populares que começaram com protestos contra o aumento das tarifas de transporte público e se ampliaram para reivindicações relacionadas à saúde, Os protestos em Ribeirão e em todo o país, educação e segurança pública. Em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, um episódio trágico marcou as manifestações: um jovem de 18 anos foi atropelado e morto durante uma passeata.

O empresário Alexandro Ischissato de Azevedo, de 37 anos, conhecido como Alex Japonês, é acusado do atropelamento. Segundo relatos, o incidente ocorreu quando ele tentava sair do estacionamento de um supermercado localizado no cruzamento das avenidas Professor João Fiusa e José Adolfo Bianco Molina. Alexandro afirmou que foi surpreendido por manifestantes que bloqueavam o trânsito e agrediam seu veículo. Ele declarou estar arrependido pelo ocorrido.

Após o atropelamento, a esposa de Alexandro sofreu uma hemorragia que resultou na perda de um bebê de um mês de gestação, conforme informações divulgadas pelo empresário. A Justiça de Ribeirão Preto decretou a prisão preventiva de Alexandro, que está foragido e deixou a cidade de ônibus. Ele responde por homicídio e quatro tentativas de homicídio doloso, crimes que podem resultar em mais de 20 anos de prisão.

Reação da população e manifestações: Na noite do atropelamento, cerca de 2 mil pessoas participaram de uma caminhada que saiu da Praça 15 e seguiu até a Avenida João Fiusa, local do acidente. Os manifestantes vestiam preto e deixaram velas e flores em um santuário improvisado para prestar homenagens à vítima. Inicialmente pacífico, o protesto ganhou visibilidade nacional e ampliou suas reivindicações para além do transporte público, incluindo demandas por melhorias em serviços essenciais como saúde, educação e segurança.

Organização e reivindicações dos movimentos

Representantes do movimento Passe Livre em Ribeirão Preto, como Juliana Escrideli e Estevan Campos, destacam que a principal demanda é a redução da tarifa de ônibus e a melhoria do transporte público. Entre as propostas apresentadas estão a ocupação do Conselho Municipal de Transporte por membros da sociedade civil, a reestruturação das linhas e itinerários e o estabelecimento de um diálogo mais efetivo entre o poder público e as empresas de transporte.

Os líderes do movimento também enfatizam a necessidade de transparência na gestão do sistema de transporte, propondo auditorias nas planilhas de custos das empresas para justificar os reajustes das tarifas. Essas medidas visam garantir maior controle social e evitar aumentos considerados abusivos pela população.

Análise política e social: O sociólogo e antropólogo Delsso Ferreira avalia que os protestos refletem uma insatisfação ampla com as políticas públicas, especialmente no que diz respeito à priorização do transporte privado em detrimento do coletivo. Ferreira critica a demora do governo federal em se posicionar e a ausência de propostas concretas no pronunciamento da então presidente Dilma Rousseff, que abordou o tema em discurso nacional, mas sem compromissos claros.

Segundo o sociólogo, a classe política demonstra dificuldade para compreender as demandas das ruas, o que contribui para a perpetuação do descontentamento social. O professor universitário Elmir de Almeida, especialista em juventude, acrescenta que a mobilização não é um fenômeno repentino, mas resultado de um processo contínuo de organização e insatisfação da juventude com o sistema político tradicional, que se distancia das demandas sociais.

Estevan Campos, integrante do movimento Passe Livre, expressa ceticismo em relação às propostas de reforma política apresentadas pelo governo, considerando-as mais uma tentativa de abafar as críticas do que de promover mudanças efetivas. Ele defende maior transparência e ética na política como caminhos para atender às reivindicações da população.

Entenda melhor

Os protestos que tomaram as ruas do Brasil nas últimas semanas tiveram início com a contestação ao aumento das tarifas de transporte público. Com o passar do tempo, o movimento se ampliou, questionando a gestão pública, a transparência dos gastos e a qualidade dos serviços oferecidos à população. O episódio do atropelamento em Ribeirão Preto evidenciou a tensão entre manifestantes e autoridades, além de mostrar a complexidade das demandas sociais e políticas envolvidas nas mobilizações.

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