Ouça o 1º bloco do programa de 22 de fevereiro
O tema da adoção é complexo e carregado de emoção, impactando profundamente a sociedade. Para entender melhor a situação em Ribeirão Preto, conversamos com Valéria Matar, psicóloga da Vara da Infância e Juventude, que nos oferece um panorama sobre o acolhimento e a adoção na região.
O Cenário Atual do Acolhimento
Atualmente, Ribeirão Preto conta com 50 crianças e jovens acolhidos em instituições, mas apenas quatro estão disponíveis para adoção. Valéria explica que o acolhimento se estende até os 18 anos, preparando os jovens para a autonomia. No entanto, encontrar famílias dispostas a adotar adolescentes, especialmente aqueles com condições de saúde específicas, como jovens soropositivos, é um desafio. A psicóloga detalha que, ao completarem 18 anos, as instituições oferecem suporte para estudo, trabalho e moradia, visando a emancipação dos jovens.
O Processo de Acolhimento e a Busca pela Família Ideal
Quando uma criança ou jovem é acolhido, inicia-se um processo para entender sua situação familiar. Busca-se identificar familiares que possam assumir a responsabilidade, como avós ou tios. Apenas quando não há alternativas familiares, a adoção é considerada. Valéria ressalta a complexidade do processo, que envolve investigação e análise para garantir a segurança e o bem-estar da criança. A psicóloga enfatiza que a maioria das crianças acolhidas possui pais, mas enfrentam problemas como uso de drogas, álcool e dificuldades socioeconômicas.
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Adoção: Expectativas e Realidades
A psicóloga aborda a idealização dos pais em relação ao filho perfeito e a importância de considerar crianças mais velhas, que carregam consigo uma bagagem emocional maior. Valéria destaca que o tempo de espera na fila de adoção é influenciado pelo perfil desejado pelos pretendentes. Casais homoafetivos também podem adotar, seguindo o mesmo processo de avaliação. A profissional esclarece que a lei proíbe a entrega direta de crianças para adoção, visando evitar a mercantilização e garantir a segurança do processo.
O trabalho da Vara da Infância e Juventude é complexo e delicado, buscando sempre o melhor para as crianças e jovens em situação de vulnerabilidade.



