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Neste 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids, é importante refletir sobre essa doença que, embora sem cura, é controlável com tratamento fornecido pelo SUS. A Organização Mundial da Saúde estima 37 milhões de pessoas infectadas, com 30% desconhecendo sua condição. No Brasil, dados regionais mostram aumento expressivo de casos em homens de 20 a 39 anos em Ribeirão Preto nos últimos 10 anos, enquanto em mulheres houve redução na faixa dos 25 a 29 anos.
Vivendo com HIV: o relato de Rui Rego Barros
Rui Rego Barros, ativista e palestrante soropositivo há 13 anos, compartilhou sua trajetória. Diagnosticado em 2005 com Aids em estágio avançado, ele enfrentou diversas dificuldades, inclusive uma patologia rara e agressiva da qual é um dos poucos sobreviventes. Apesar das sequelas, como a perda parcial da visão, Rui leva uma vida plena, destacando a importância do teste de HIV anual e da adesão ao tratamento. Ele toma atualmente quatro medicamentos diariamente, além de suplementos, e pratica atividades físicas e uma alimentação saudável.
A Pesquisa e o Atendimento à População Carcerária
Aline Andrade, pesquisadora da Escola de Enfermagem, detalhou seu trabalho de doutorado sobre o perfil de pessoas com HIV no sistema prisional. Apesar da superlotação e complexidade do ambiente carcerário, o acesso ao tratamento é garantido, embora dependa de um sistema que envolve unidades penitenciárias, equipes de saúde e logística de transporte. A pesquisa revela que muitos já ingressam no sistema com o vírus, e a testagem é realizada na rotina de inclusão.
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O Trabalho Multidisciplinar no Hospital das Clínicas
Dra. Carolina Rangel, psicóloga do Hospital das Clínicas, abordou o suporte multidisciplinar oferecido aos pacientes com HIV. Além do tratamento da doença crônica, o trabalho foca na quebra do estigma e na promoção da saúde mental, considerando os medos relacionados à morte, à imagem corporal e à sexualidade. A equipe busca respeitar a autonomia do paciente na decisão de revelar o diagnóstico a familiares e amigos. A prevenção, por meio da informação e do uso de preservativos, é fundamental para reduzir o contágio, principalmente o sexual, que tem aumentado entre homens, especialmente na faixa etária acima de 55 anos.
A prevenção e o acesso ao tratamento são cruciais no combate à Aids. A conscientização, aliada ao apoio multidisciplinar e à humanização do atendimento, contribuem para uma melhor qualidade de vida para as pessoas que vivem com HIV.



