Ouça o segundo bloco do programa deste sábado (1°)
O programa de rádio CBN discutiu o problema do crack em nível nacional e em Ribeirão Preto. Participaram do debate Erickson Furtado, Luiz Antônio Damaceno e Aristides Marquette.
Programas e Iniciativas de Combate ao Crack
Em Ribeirão Preto, o programa Recomeço, do governo estadual, oferece 94 vagas em comunidades terapêuticas para dependentes químicos. Há também a Casa de Passagem, moradia assistida e uma república, o projeto “Mudando Vidas”, gerido por Ricardo Dinho Tostes com recursos próprios. Apesar dos esforços, a falta de vontade política impede uma atuação mais ampla e eficaz. Um programa anterior, “Crack é Possível Vencer”, do governo federal, teve recursos desperdiçados, com veículos e equipamentos destinados à Guarda Municipal, que não possuía poder de polícia para abordagem de dependentes químicos.
A Necessidade de uma Coordenadoria de Políticas Públicas
Os debatedores destacaram a necessidade de uma coordenadoria de políticas públicas sobre álcool e drogas em Ribeirão Preto, para unir a sociedade e o poder executivo no combate ao problema. O poder judiciário já se mostrou favorável à devolução da dignidade humana aos dependentes químicos. A visibilidade do uso do crack, devido ao estado de degradação física dos usuários, contribui para a preocupação social, enquanto o uso de outras drogas, como maconha e cocaína, passa mais despercebido.
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A Complexidade do Problema e a Importância da Prevenção
O debate abordou a complexidade do problema do crack, sua alta taxa de recaída e a necessidade de abordagens variadas para diferentes perfis de usuários. A discussão incluiu a importância da prevenção, especialmente entre crianças e gestantes. Apesar da redução do tabagismo, o consumo de álcool continua alto e patrocinado, em contraste com a ausência de apoio similar ao combate ao crack. A recuperação de dependentes químicos, quando engajados no tratamento, pode alcançar taxas de 40% a 60%, comparável a outras doenças que exigem mudanças de comportamento. A relação entre criminalidade e uso de crack é complexa, com fatores socioeconômicos e o envolvimento com o tráfico sendo mais relevantes do que as alterações de personalidade. A alta taxa de homicídios no Brasil, especialmente entre jovens negros com pouca escolaridade, foi comparada à de outros países, destacando a necessidade de uma abordagem de saúde pública mais abrangente. A conclusão é que o problema do crack é complexo e persistente, exigindo prevenção e tratamento, além de uma mudança de valores na sociedade.



