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O crack, forma cristalizada da cocaína, surgiu na década de 1970, com expansão do uso na década seguinte, inicialmente em cidades norte-americanas como Los Angeles. Atualmente, o Brasil ocupa a triste liderança mundial no ranking de usuários, concentrando cerca de 20% do consumo global, com 2 milhões de pessoas que já fizeram uso da droga. Ribeirão Preto também enfrenta essa realidade, com a presença de mini-cracolândias em diversas regiões, como o centro da cidade.
Campanhas de conscientização: eficácia e desafios
A eficácia das campanhas de conscientização sobre o crack é questionada. A avaliação objetiva de seu impacto é difícil, pois faltam parâmetros para medir sua influência na decisão de usar ou não a droga. Muitas campanhas, embora bem-intencionadas, não se adequam às necessidades da população de risco.
Prevenção: a importância da ação integrada
Para combater o problema, a prevenção é crucial. Iniciativas como o Programa de Qualidade de Vida com Amor Exigente, que capacita professores, funcionários e pais, buscam atingir a população antes do contato com as drogas. Em Ribeirão Preto, o programa realiza cerca de 2.500 atendimentos mensais, oferecendo apoio a dependentes químicos e familiares. A prevenção deve ser trabalhada em três níveis: primária (universal), secundária e terciária, exigindo maior ênfase do poder público.
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A complexidade do problema: um ciclo histórico e social
O uso de substâncias psicoativas é um fenômeno histórico, presente em diversas sociedades ao longo do tempo. Fatores como urbanização, pobreza e falta de serviços sociais contribuem para o agravamento do problema. A dependência química é uma doença que requer tratamento e apoio. Embora a prevenção seja fundamental, alguns indivíduos, mesmo informados, podem desenvolver dependência. A redução de danos e a busca pela recuperação da autonomia do dependente são igualmente importantes. A intervenção estatal, muitas vezes focada na repressão, precisa ser repensada, buscando estratégias mais eficazes e humanizadas. O crack, por sua alta capacidade de alienação, pode causar danos cerebrais irreversíveis. A legalização de algumas drogas, como o álcool, também contribui para o problema, exigindo atenção e debate. A abstinência total é defendida como a melhor abordagem, com o trabalho conjunto de Estado, sociedade civil e organizações como o Amor Exigente, que tem demonstrado resultados positivos na prevenção, tratamento e reinserção social. A falta de políticas públicas efetivas e a proliferação de novas drogas, como o lança-perfume turbinado e anabolizantes clandestinos, agravam ainda mais a situação.



