Ouça o segundo bloco do programa deste sábado (29)
Neste sábado (29/07), o programa Xebeni discutiu a polêmica reforma do ensino médio, contando com a participação de Maurício Nácio (diretor estadual da APUSP), Eduardo Gula Sobrinho (diretor pedagógico e professor de química), e Juliana Pionti (professora e pesquisadora em educação).
Pontos Fracos da Reforma e Comparação Internacional
A reforma, pouco debatida previamente, gerou preocupações sobre sua eficácia. Comparando o modelo brasileiro com outros países, como EUA e Europa, percebe-se uma grande diferença. Enquanto em outros países o ensino médio é mais flexível, com opções de cursos profissionalizantes e horários diferenciados, o Brasil mantém um modelo universal e engessado. A necessidade de mudanças é sentida por professores e alunos, mas a dúvida é se a proposta atual é a mais adequada.
Desigualdade e a Realidade Brasileira
A comparação com países como a Finlândia, referência em educação, é problemática. A Finlândia possui um contexto socioeconômico e um número de alunos muito diferentes do Brasil. A valorização do professor, crucial na Finlândia, contrasta com a desvalorização no Brasil, onde a carreira docente é pouco atraente. Copiar modelos estrangeiros sem considerar a realidade brasileira, com sua desigualdade social e rica história educacional (com nomes como Paulo Freire), é um equívoco. A reforma deve partir da realidade brasileira, valorizando seu potencial e seus educadores.
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Precarização e a Dualidade do Sistema
A reforma reflete a precarização da educação pública brasileira. A falta de investimento no ensino fundamental resulta em alunos chegando ao ensino médio com defasagem de conteúdo. Há uma preocupação com a terceirização das escolas e a formação de um “exército de reserva” para o mercado de trabalho, sem preparo adequado. A dualidade entre escola pública e privada se agrava, com os alunos de escolas particulares tendo acesso a mais recursos e melhores oportunidades. A reforma, ao invés de superar essa desigualdade, pode aprofundá-la. A falta de transparência e o atropelo na implementação sem a definição da Base Nacional Curricular também são pontos críticos.
O debate sobre a reforma do ensino médio expõe as fragilidades do sistema educacional brasileiro. A falta de investimento, a precarização do trabalho docente, e a desigualdade entre escolas públicas e privadas são desafios que precisam ser enfrentados para garantir uma educação de qualidade para todos. A busca por soluções deve partir da nossa realidade, valorizando nossos educadores e investindo em um sistema público forte e inclusivo.



