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Almanaque CBN fala sobre a visita do Papa Francisco ao Brasil

Ouça o 1º bloco do programa de 27 de julho
A visita do Papa Francisco ao
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Uma pesquisa realizada na França revelou que 90% dos entrevistados acreditam que a Igreja Católica deve se modernizar com urgência. Entre os pontos criticados estão dogmas mantidos pelo Vaticano, A visita do Papa Francisco ao Brasil, como a proibição do uso de métodos contraceptivos, o casamento de padres e freiras, a exclusão da mulher de cargos de liderança e a definição da homossexualidade como desvio de conduta.

O debate sobre as possíveis mudanças na Igreja Católica foi tema de uma edição especial em 27 de julho de 2013, A visita do Papa Francisco ao Brasil, com a participação do padre de Roberto Cásper e do sociólogo Vlaumíli de Souza, entre outros convidados. O padre destacou que o Papa Francisco, eleito inesperadamente, tem buscado renovar a Igreja, comparando-o ao Papa João XXIII, que abriu as portas para novas possibilidades de ser Igreja, especialmente uma Igreja de ternura, acolhida e inclusão social.

Desafios para a reforma da Igreja

O sociólogo Vlaumíli de Souza ressaltou que as transformações da Igreja em relação a temas tradicionais serão limitadas, devido à natureza milenar da instituição. Ele citou a dificuldade do Papa em romper com posições históricas, como a questão dos ateus, que gerou advertências da Cúria. Segundo ele, o Papa Francisco tem mostrado que não é dono absoluto do poder, afirmando que “um Papa tem muitos donos”, o que representa uma quebra do mito da infalibilidade papal e do poder monárquico absoluto dentro da Igreja.

Vlaumíli explicou que a estrutura burocrática da Cúria Romana dificulta reformas profundas, pois muitos cargos exigem longevidade e o Papa acaba refém das indicações dos papas anteriores. Ele também destacou a complexidade do debate sobre a homossexualidade, ressaltando que a palavra “homossexualismo” está desatualizada e que a homossexualidade não é mais considerada doença pela Organização Mundial da Saúde. A Igreja, contudo, mantém uma posição conservadora, o que representa um desafio para o Papa Francisco.

O estilo e a mensagem do Papa Francisco: Padre de Roberto Cásper destacou que a maior mudança proposta pelo Papa Francisco é uma transformação que começa no coração dos fiéis, especialmente dos católicos. Ele enfatizou o estilo pessoal do Papa, que tem sido chamado de “Papa da ternura”, “Papa dos pobres” e “Papa da inclusão”. Apesar do carisma e da proximidade com as pessoas, o Papa mantém firmeza em suas posições dogmáticas e não sacramentaliza todas as demandas da sociedade contemporânea.

O padre ressaltou que o Papa tem valorizado os valores evangélicos, como a rejeição ao poder, ao prestígio e ao materialismo, e que seu estilo pessoal — como andar a pé, vestir-se de forma simples e abdicar do anel papal — simboliza uma mudança significativa na imagem da Igreja. Ele espera que essas atitudes inspirem os fiéis a se converterem e a abandonarem práticas como competição e inveja clerical.

Modernização e hierarquia na Igreja: Vlaumíli de Souza afirmou que a palavra “modernização” é temida pela Igreja desde os séculos XVIII e XIX. Ele comparou o estilo do Papa Francisco ao da princesa Diana, que aproximou a monarquia do povo, e destacou que o Papa tem adotado uma estratégia de proximidade com os fiéis, o que é essencial para instituições hierárquicas no século XXI.

Apesar do discurso de proximidade e inclusão, o sociólogo ressaltou que a hierarquia permanece central, com o Papa mantendo a autoridade máxima. Ele destacou que o Papa propõe um colegiado para decisões, mas a estrutura monárquica e absolutista da Igreja permanece intacta. A maior mudança, segundo ele, será a desconstrução da infalibilidade papal, mostrando que o Papa não é uma figura inquestionável.

Perspectivas da teologia da libertação e críticas internas

O teólogo e sociólogo Leonardo Boffi, conhecido por sua defesa da teologia da libertação, afirmou que o Papa Francisco tem autoridade moral para fazer apelos em defesa dos pobres e contra o sistema financeiro globalizado, que ele considera insensível e causador de sofrimento para povos inteiros. Boffi destacou que o Papa promove uma Igreja mais simples, franciscana e próxima dos pobres, renunciando a símbolos de poder e luxo.

Padre de Roberto Cásper lembrou que a teologia da libertação sempre teve espaço na Igreja, mas que seu uso inadequado e distorcido gerou receios na Cúria Romana, especialmente em relação ao marxismo. Ele citou que papas anteriores, como João Paulo II e Bento XVI, tiveram preocupações similares e que a Igreja buscou evitar que a teologia da libertação se transformasse em uma anarquia.

Vlaumíli de Souza concordou que a teologia da libertação tem sido vista com reservas pela hierarquia e destacou que o Papa Francisco ainda está em um período de “lua de mel” com a Igreja. Ele questionou se o Papa avançará do discurso para a ação, convocando a Igreja a sair da sacristia e atuar na transformação social, o que poderia gerar resistência interna e até mesmo o risco de ser afastado do Vaticano.

Entenda melhor

A Igreja Católica enfrenta um momento de tensão entre a manutenção de tradições milenares e a pressão por modernização, especialmente em temas como sexualidade, papel da mulher e inclusão social. O Papa Francisco tem adotado um estilo mais próximo dos fiéis e uma postura crítica ao sistema econômico global, mas enfrenta limitações estruturais e resistências internas que dificultam reformas profundas. O futuro das mudanças dependerá da capacidade do Papa de avançar do discurso para a ação efetiva, conciliando tradição e demandas contemporâneas.

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