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Almanaque CBN fala sobre o parto humanizado

Ouça o 2º bloco do programa de 28 de setembro
parto humanizado
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Acompanhamos hoje a discussão sobre a humanização do parto, um tema cada vez mais relevante e presente nas conversas sobre saúde da mulher. Abordaremos a importância da escolha da mãe, os desafios enfrentados no sistema de saúde e o papel fundamental da informação e do apoio nesse processo.

Resistência à Humanização do Parto

Ainda existe uma resistência considerável por parte da classe médica em relação à humanização do parto. Essa resistência pode ser atribuída a diversos fatores, como a quebra de paradigmas, a revisão de valores e conceitos arraigados na formação médica tradicional. Além disso, há interesses econômicos envolvidos e a dificuldade de alguns médicos em adaptar esse tipo de assistência à sua rotina. A médica Flávia Marcial de Aguiar, ginecologista e obstetra, destaca a importância de o médico acreditar na mulher e transferir o poder de condução do parto para ela, o que pode ser um desafio para o ego de um profissional acostumado a intervir ativamente.

A Escolha da Mãe e a Informação

A escolha do tipo de parto deveria ser sempre da mãe, exceto em casos de risco. No entanto, muitas vezes, as mulheres são levadas a optar por cesarianas desnecessárias devido a avaliações equivocadas dos médicos. A falta de paciência ou a incapacidade técnica de acompanhar um trabalho de parto prolongado podem levar à indicação de uma cesariana sem que essa seja realmente a melhor opção para a mãe e o bebê. A informação desempenha um papel crucial nesse cenário. É fundamental que as mulheres tenham acesso a informações claras e acessíveis sobre os riscos e benefícios de cada tipo de parto, para que possam tomar decisões conscientes e alinhadas com seus desejos e necessidades. As redes sociais têm se mostrado um importante canal para disseminar essas informações e oferecer apoio a mulheres que buscam um parto mais humanizado.

O Papel do Pai e a Estrutura no Brasil

O pai desempenha um papel fundamental no parto humanizado, sendo um apoio emocional e um porto seguro para a mulher. A presença do pai, ou de outro acompanhante de confiança, é um direito da mulher e pode fazer toda a diferença no processo. No entanto, é importante que o pai se posicione da forma como se sentir mais confortável, sem obrigações de participar ativamente se não for de seu desejo. No Brasil, a estrutura para o parto humanizado ainda é precária, principalmente no sistema público de saúde. Faltam hospitais com infraestrutura adequada, como banheiras para o alívio da dor durante o trabalho de parto. No entanto, a mudança de postura dos profissionais de saúde é ainda mais importante do que a estrutura física. É preciso que os médicos e enfermeiros estejam dispostos a ouvir e respeitar as escolhas da mulher, oferecendo um acompanhamento individualizado e humanizado.

Em suma, a humanização do parto é um processo em construção, que envolve a mudança de paradigmas, a informação e o empoderamento da mulher. Apesar dos desafios, é possível ter partos satisfatórios mesmo dentro da estrutura tradicional, desde que as escolhas da mulher sejam respeitadas e ela receba o apoio necessário.

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