Ouça o 2º bloco do programa de 7 de dezembro
Em um debate que envolve história, cultura e desenvolvimento urbano, a situação da antiga cervejaria Antarctica em Ribeirão Preto, e o futuro do patrimônio histórico da cidade, foram tema de discussão em um programa de rádio local. Adriana Silva, presidente do Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais (IPC), e Claudia Morrone, presidente eleita do Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural de Ribeirão Preto (COMPACT), trouxeram perspectivas importantes sobre o assunto.
A Cervejaria Antarctica e o Dilema da Preservação
A discussão central girou em torno da possível demolição de grande parte da antiga cervejaria Antarctica para a construção de um shopping. Claudia Morrone esclareceu que, embora ainda não possa falar em nome do Conselho, um projeto já passou pelo COMPACT para análise de diretrizes de aproveitamento do local. A conselheira enfatizou a necessidade de unir a preservação com um novo uso da área, a fim de atrair investimentos e revitalizar o centro da cidade.
O Que Define o Patrimônio Histórico?
Um dos pontos cruciais abordados foi o critério para definir o que é histórico e o que não é. Claudia explicou que o Conselho conta com uma equipe multidisciplinar, incluindo engenheiros, arquitetos, historiadores e advogados, para determinar os elementos essenciais à preservação. Nem toda casa antiga é histórica, e é fundamental preservar os elementos que remetem a uma época ou forma de construção que não existem mais.
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Economia Criativa e Patrimônio Histórico
Adriana Silva, do IPC, destacou a importância da economia criativa como ferramenta para viabilizar projetos culturais e preservar o patrimônio. Ela citou exemplos de sucesso na Europa, onde ruínas foram transformadas em negócios sem perder o valor histórico. Adriana ressaltou que, para o IPC, o cultural é prioridade, e a economia criativa é o meio para alcançar esse objetivo. A presidente defende que a restauração de bens históricos pode atrair visitantes e gerar negócios, impulsionando a economia local.
O diálogo entre preservação e progresso é complexo, mas essencial para o futuro de Ribeirão Preto. A valorização da história e da cultura local pode ser um motor para o desenvolvimento econômico e social, desde que haja um esforço conjunto da sociedade, do poder público e dos proprietários de imóveis históricos.



