Ouça o 1º bloco do programa de 7 de setembro
O arquiteto e urbanista José Antonio Lanchotti, coordenador do Plano Diretor de Ribeirão Preto, apresentou ao público as diretrizes que vão orientar o desenvolvimento urbano da cidade nas próximas décadas. O documento, previsto pela Constituição de 1988 e revisado periodicamente desde o Estatuto da Cidade de 2001, volta ao debate público após a revisão de 2003 e segue os marcos do primeiro Plano Diretor, aprovado em 1995.
Diretrizes gerais e novos instrumentos
Segundo a equipe técnica responsável pelo levantamento, o novo Plano Diretor amplia o escopo do planejamento, deixando de focar apenas no crescimento físico e incorporando orientações para políticas públicas nas áreas de educação, saúde e economia. Entre os instrumentos propostos estão estudos de impacto de vizinhança e mecanismos que regulamentam o direito de construir, com objetivo de integrar decisões urbanísticas e sociais e tornar o ordenamento territorial mais sensível às demandas da população.
Mobilidade, estacionamento e transporte não motorizado
Uma das novidades centrais do texto é a incorporação da mobilidade urbana como tema estruturante. O plano estabelece uma hierarquia de prioridades para os deslocamentos — começando por pessoas com deficiência, seguidas por pedestres, ciclistas, transporte coletivo e, por fim, transporte privado. A definição de vagas de estacionamento não consta do texto inicial e ficará a cargo de planos de mobilidade específicos. O documento também prevê restrições ao estacionamento em vias públicas para preservar a fluidez e estimular o uso do transporte coletivo, que pode se tornar mais acessível com o aumento da demanda.
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O incentivo ao transporte não motorizado ganha propostas concretas, como a expansão da malha cicloviária e a instalação de bicicletários seguros. A equipe técnica cita experiências nacionais e internacionais bem-sucedidas, ressaltando, porém, que a adoção ampla dessas medidas depende de mudança cultural, vontade política e do apoio da população.
Crescimento urbano e proteção ambiental
Para orientar a expansão residencial e econômica, o plano propõe ocupações em unidades planejadas que integrem moradia, comércio e serviços, com o objetivo de reduzir deslocamentos longos. A estratégia de crescimento deixa de concentrar-se em um único vetor — como a zona sul — e passa a privilegiar anéis concêntricos ao redor do centro, buscando um padrão mais equilibrado de ocupação.
O documento também prevê respeito a áreas de proteção ambiental, com atenção especial à zona leste, onde está localizada a área de recarga do Aquífero Guarani, considerada fundamental para a segurança hídrica da região.
As próximas etapas do processo incluem uma reunião pública em 3 de outubro para apresentação do primeiro esboço do texto e uma audiência final em 6 de novembro para a apresentação do texto formatado. A população pode acompanhar o andamento e enviar contribuições pelo site oficial da prefeitura de Ribeirão Preto, na seção dedicada ao Plano Diretor.



