Ouça o segundo bloco do programa deste sábado
O carnaval, uma festa de grande importância cultural no Brasil, tem passado por transformações ao longo dos anos. Em Ribeirão Preto, a ausência dos desfiles das escolas de samba pelo segundo ano consecutivo levanta questionamentos sobre o futuro da celebração na cidade. Para discutir o tema, o programa Manac CBN recebeu Washington Barbosa, ativista cultural, e Carminha Rezende, monitora artística da Secretaria da Cultura.
A Essência das Escolas de Samba
Washington Barbosa destacou a riqueza cultural das escolas de samba, que carregam história, ancestralidade, identidade e origens étnicas. Ele explicou que cada elemento, desde a comissão de frente até os carros alegóricos, possui um significado e uma tradição. O modelo das escolas de samba é considerado ‘engessado’ não por imposição, mas sim pela própria história e tradição.
O Desafio da Produção Comunitária
Um dos principais problemas apontados é a falta de produção coletiva da comunidade nas escolas de samba de Ribeirão Preto. Segundo Washington, há uma dependência excessiva de recursos financeiros, o que impede a mobilização e o comprometimento da população. Diferentemente de outras cidades, onde os recursos são utilizados para engajar a comunidade, em Ribeirão Preto eles são direcionados para a produção do espetáculo, resultando em uma produção mais comercial do que comunitária.
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A Busca por Gestão e Imagem
Carminha Rezende comparou a situação de Ribeirão Preto com a de Batatais, que possui um carnaval de destaque na região. Ela ressaltou a importância do envolvimento da sociedade, do comprometimento dos componentes e da colaboração da mídia. Além disso, destacou a necessidade de as escolas de samba trabalharem a sua imagem e de terem uma gestão profissional, unindo liderança comunitária e capacidade de gestão.
O Futuro do Carnaval
Para Washington, a solução para o carnaval de Ribeirão Preto está na gestão comunitária, com presidentes de escola que mobilizem a comunidade e valorizem a tradição. Carminha complementou, enfatizando a importância de os gestores buscarem patrocínios, venderem a imagem da escola e agregarem estudantes e alas de outras escolas. Ambos concordam que é preciso arregaçar as mangas e trabalhar para resgatar o carnaval de rua na cidade.
O resgate do carnaval de Ribeirão Preto depende da união de esforços da comunidade, da gestão eficiente das escolas de samba e do resgate das tradições que tornam essa festa tão especial.



