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Dados do IBGE revelaram que, em 2010, o Brasil contava com mais de 243 mil divorciados. Curiosamente, no mesmo ano em que se observou a maior taxa de divórcios no país, também houve um aumento de 4,5% no número de casamentos.
Essa dinâmica reflete as novas configurações familiares que emergem na sociedade brasileira. Para entender melhor este cenário, conversamos com o sociólogo João Vitor Faustino e a psicóloga Silvana Dordete, ambos com vasta experiência em estudos da família.
Transformações na Estrutura Familiar
João Vitor aponta que os movimentos feministas da década de 1960 foram um divisor de águas, transformando o conceito tradicional de família. A independência financeira da mulher desvinculou a família da ideia de instituição de propriedade, abrindo espaço para relações baseadas em união e solidariedade, em vez de necessidades estritamente econômicas. Silvana complementa que essa mudança gerou impactos emocionais intensos, tanto para o casal quanto para os filhos, exigindo uma revisão dos papéis familiares, que antes eram mais rígidos e predefinidos.
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A Dissolução da Família: Causas e Consequências
Questionado sobre a crescente dissolução das famílias, João Vitor argumenta que a família nuclear tradicional, como conhecemos, teve uma duração relativamente curta na história da humanidade. A individualização e a busca por relacionamentos baseados no amor, em vez de necessidades estruturais, contribuem para essa dissolução. Silvana observa que a autonomia financeira e emocional da mulher a leva a buscar o casamento como uma relação amorosa estável, e a romper o vínculo caso essa relação se deteriore. Estatísticas indicam que a maioria dos pedidos de divórcio partem das mulheres, refletindo essa busca por satisfação emocional.
Novos Papéis e a Educação Moral
Com a nova dinâmica familiar, surgem novos papéis para homens e mulheres. João Vitor destaca que os homens estão mais presentes na vida dos filhos, participando ativamente em atividades antes consideradas exclusivamente femininas. No entanto, ele alerta para o risco de terceirizar a educação moral das crianças para a escola, quando essa responsabilidade sempre foi e deve continuar sendo da família. Silvana ressalta a importância de que pais e mães definam seus papéis e não os misturem, para evitar insegurança e confusão nas crianças.
Em suma, as transformações na família brasileira refletem mudanças sociais profundas, com impactos tanto positivos quanto desafiadores. A busca por relações mais autênticas e a redefinição dos papéis familiares exigem adaptação e diálogo, visando o bem-estar de todos os seus membros.



