A recente alta no preço do diesel acendeu um alerta no setor supermercadista em Ribeirão Preto (SP). Segundo a Apas (Associação Paulista de Supermercados), o impacto ainda não chegou às prateleiras, mas pode aparecer nas próximas semanas. O setor trabalha com estoques que variam, em média, entre 20 e 30 dias.
A preocupação ocorre em meio ao cenário de instabilidade internacional e à dependência do transporte rodoviário no Brasil para o abastecimento de alimentos e outros produtos.
Impacto
De acordo com o presidente da Apas, Erlon Ortega, o aumento do diesel afeta diretamente toda a cadeia de abastecimento que leva produtos aos supermercados. “Sabemos que o país não é um país sobre trilhos e sim sobre rodas. Toda essa malha rodoviária sofre o reflexo do diesel.”
Segundo ele, alguns fornecedores de commodities, como o arroz, já estão refazendo cálculos por causa da incerteza no custo do transporte.
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Apesar disso, os supermercados ainda não repassaram os aumentos aos consumidores, pois utilizam os estoques para segurar a inflação no curto prazo.
Estoques
O setor trabalha com estoques reguladores que ajudam a evitar reajustes imediatos nas prateleiras. No entanto, esse mecanismo tem limite, principalmente por se tratar de alimentos perecíveis.
De acordo com Ortega, itens como arroz e feijão não podem permanecer armazenados por períodos muito longos, o que reduz a capacidade de formação de grandes estoques.
Por isso, caso o aumento no custo do diesel se mantenha, o reflexo pode aparecer nos preços dos produtos em um prazo estimado de 15 a 20 dias.
Pequenos mercados
Supermercados de menor porte podem sentir os efeitos do aumento de custos com mais rapidez. Isso ocorre porque esses estabelecimentos costumam trabalhar com estoques menores e reposição mais frequente.
Por outro lado, essa dinâmica também permite que os preços sejam ajustados mais rapidamente em caso de queda de custos.
O setor segue monitorando a situação e espera que a instabilidade internacional que influencia o preço do combustível seja reduzida, evitando um impacto maior no bolso do consumidor.



