Somados os seis últimos meses de 2020 e os primeiros deste ano, a compra de hambúrguer e salsicha aumentou 18%
O aumento nos preços dos alimentos tem impactado diretamente o consumo das famílias brasileiras. A carne bovina, sempre cara, tem se tornado inacessível para muitos, levando a um aumento significativo no consumo de produtos processados e embutidos como salsicha e hambúrguer, alternativas mais baratas.
Impacto nos hábitos alimentares
A alta no preço da carne tem forçado mudanças nos hábitos alimentares da população. Cozinheiras, como Claudete Tiaroli, relatam a redução da quantidade de carne nos pratos, substituindo-a por opções mais acessíveis, mesmo que em menor qualidade. Gerentes de supermercados, como Edmilsson Araújo, confirmam a observação, apontando para preços absurdos e a busca por alternativas mais econômicas, mesmo que menos nutritivas.
Aumento do consumo de embutidos
Uma pesquisa recente revelou um aumento de 18% no consumo de carnes processadas e embutidas entre o segundo semestre de 2020 e o primeiro semestre de 2023. Franciélido Arte, supervisora de atendimento, relata a necessidade de incluir mais embutidos em suas compras devido aos altos custos da carne. Rodrigo Canesim, gerente de supermercado, confirma o aumento de 12% nas vendas de embutidos em 2023, atribuindo-o à migração de consumidores em busca de melhor custo-benefício.
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Consequências para a saúde e a economia
O economista Dianange Bayley explica que essa substituição de bens de maior qualidade por opções mais baratas, embora momentaneamente alivie o orçamento, compromete a saúde, uma vez que se trata da troca de alimentos naturais por produtos altamente processados e muitas vezes prejudiciais. Apesar do aumento nos preços dos embutidos (salsicha 9%, presunto quase 14%, hambúrguer 12,75% e empanado de frango 9,45%), eles ainda se mantêm como opção mais acessível do que a carne bovina, refletindo a perda do poder de compra do consumidor e a busca por proteínas mais baratas, mesmo que menos nutritivas. A realidade é a adaptação forçada a um cardápio menos saudável, em função da crise econômica.



