Benefício, criado para auxiliar os trabalhadores na hora das despesas, tem perdido cada vez mais o valor de compra
Em Ribeirão Preto, a realidade de muitos trabalhadores que dependem de vale-refeição e vale-alimentação para sobreviver até o fim do mês se tornou cada vez mais desafiadora. A inflação crescente tem corroído o poder de compra desses benefícios, impactando diretamente o orçamento doméstico.
O Vale não Alcança
Cleusa de Oliveira, recepcionista na cidade, ilustra bem essa situação. Apesar de receber o vale da empresa, ela relata dificuldades em fazer compras no mercado, mesmo com o benefício. “Tudo aumentou e o que a gente ganha hoje não dá mais pra comprar o que a gente comprava antes”, desabafa.
Impacto nos Hábitos de Consumo
A pesquisa da Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABET) aponta que uma refeição em restaurantes custa em média R$ 40,64. O estudo também revela que o vale-refeição dura em média 13 dias atualmente, enquanto em 2019, antes da pandemia, esse período chegava a quase 20 dias. Esta realidade impactou os hábitos de consumo. Funcionários de uma padaria no bairro Campos Elíseos relatam que os clientes estão comprando menos produtos e em menor quantidade, recorrendo ao crédito para complementar as compras após a metade do mês.
Perspectivas e Dicas de Economia
O professor de economia da USP de Ribeirão Preto, Luciano Nakabache, explica que a alta de preços está relacionada à inflação dos alimentos e que a perspectiva de queda é baixa. Ele sugere que se planeje as refeições, priorizando a preparação de comida em casa sempre que possível, como forma de economizar. Com o poder de compra dos vales cada vez menor, muitos trabalhadores estão recorrendo a outras formas de pagamento, como crédito e débito, o que agrava a situação financeira no fim do mês.



