Quem fala da dificuldade dos empreendedores em honrarem com seus compromissos é a economista Bia Selan
Quatro em cada dez dívidas empresariais atrasadas foram pagas recentemente, Altas taxas de juros têm impactado, segundo análise da economista Bia Selan. O índice de recuperação de contas atrasadas é de 43%, com destaque para dívidas entre R$ 500 e R$ 1.000, que tiveram maior percentual de quitação.
Recuperação parcial das dívidas
Apesar do índice indicar uma melhora, menos da metade das dívidas foram pagas, evidenciando que a situação financeira das empresas ainda é crítica. A maior parte dos pagamentos concentrou-se em dívidas com até 60 dias de atraso, sendo 50% para contas com até 30 dias e 42% para aquelas com até 60 dias.
Setores e prazos de pagamento: O setor de varejo apresentou o maior percentual de dívidas quitadas, com 50%, enquanto o segmento de telefonia registrou o menor índice, com 24%. Quanto maior o tempo de atraso, menor a probabilidade de pagamento: dívidas com 90 dias tiveram 28% de quitação, aquelas com 180 dias 20%, dívidas com um ano 17% e as que ultrapassaram um ano apenas 10%.
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Contexto econômico e desafios: A economista destaca que o cenário econômico atual apresenta desafios para a recuperação do crédito. A taxa Selic está em 12,25% ao ano, após aumento de um ponto percentual na última reunião do Copom. A inflação anual está em 4,87%, acima do teto da meta de 4,5%, o que restringe o acesso ao crédito devido ao aumento dos custos dos empréstimos.
Esse ambiente de juros altos e inflação elevada reduz o poder de compra dos consumidores, que passam a priorizar pagamentos essenciais, dificultando a circulação de dinheiro e impactando negativamente as margens de lucro das empresas. Isso pode comprometer investimentos e expansão dos negócios.
Endividamento das famílias e estratégias de renegociação
Uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio indica que 77% das famílias brasileiras estão endividadas, mas ainda conseguem pagar suas contas. A economista ressalta a importância da renegociação de dívidas para ampliar os prazos e facilitar os pagamentos, tanto para empresas quanto para pessoas físicas.
Ela recomenda cautela diante da instabilidade econômica e destaca que o final e início de ano são períodos mais difíceis para o comércio, devido à priorização de pagamentos de impostos como IPTU e IPVA.
Informações adicionais
O índice de recuperação de dívidas mostra sinais de melhora, mas o cenário econômico com juros altos e inflação acima da meta exige estratégias para renegociação e controle financeiro para garantir a sustentabilidade das empresas e das famílias nos próximos meses.



