Local é prédio tombado pelo Condephaat e, por isso, ares-condicionados só podem ser instalados com aprovação do conselho
Alunos da Escola Estadual Otoniel Mota, no centro de Ribeirão, relatam dificuldades para assistir às aulas nos últimos dias por causa do calor extremo registrado na cidade. A unidade funciona em um prédio tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo, o que tem dificultado a instalação de equipamentos como ar-condicionado.
Alunos relatam desmaios e episódios de mal-estar
Sem climatização adequada, estudantes descrevem episódios de tontura, desmaio e visão escurecida. “Pedi para o professor porque a gente não estava aguentando. Falei: a gente pode sair da sala? Quando estava descendo a escada, comecei a sentir tontura”, conta uma aluna. Em outro relato, uma estudante diz que precisou lavar o rosto depois de passar muito mal: “A pressão baixou de um jeito que a minha visão ficou inteira preta”.
Os relatos também mencionam ventiladores ineficientes. “Em algumas salas os ventiladores não funcionam direito; o nosso só faz vento para cima, o que deixa a sala abafada”, afirma outro aluno. A falta de conforto compromete a concentração: “Chega um momento que eu não estou prestando mais atenção, estou mais atento ao meu corpo e ao quanto está calor”.
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Prédio tombado e limites para intervenções
A escola, fundada em 1907, faz parte do conjunto de 126 escolas públicas construídas pelo governo do Estado de São Paulo entre 1890 e 1930, todas tombadas em 2010. Esse tombamento impõe restrições a alterações, que exigem análise e aprovação do conselho responsável. Segundo Lucas Gabriel, presidente do Conselho do Patrimônio Histórico de Ribeirão, intervenções são possíveis desde que preservem a estética do imóvel: “Se tiver um projeto que mantenha a estética preservada ou minimamente afetada e seja viável implantar o sistema de ar-condicionado por outros meios, ele será aprovado. Basta que haja um projeto.”
Representantes da escola e das instâncias responsáveis ainda não informaram um cronograma para apresentação de projeto ou execução de obras. Enquanto isso, alunos e professores seguem enfrentando o calor nas salas tombadas, numa rotina que tem afetado o desempenho e o bem-estar de quem frequenta a unidade.



