Na USP, protesto foi contra coordenador do curso de filosofia; na rede pública pedido foi por investigação da ‘Máfia da Merenda’
Em meio à crescente polêmica sobre o possível superfaturamento na compra de merenda escolar em São Paulo, estudantes e professores se uniram em Ribeirão Preto na última sexta-feira para pressionar deputados estaduais a assinarem a proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
Pressão por Investigação na Assembleia Legislativa
O foco do protesto foi direcionado aos deputados estaduais Léo Oliveira e Gasparini, que ainda não haviam confirmado seu apoio à CPI. Segundo Fábio Sardinha, diretor da Poesp (Associação dos Professores do Estado), a mobilização visa cobrar o apoio dos parlamentares na Assembleia Legislativa para investigar um suposto esquema de desvio de R$ 25 milhões, envolvendo a cooperativa de agricultura familiar de Bebedouro em contratos superfaturados com 16 prefeituras paulistas.
Protestos em São Paulo e Ribeirão Preto
O ato em Ribeirão Preto ocorreu pouco depois de estudantes da capital paulista serem retirados pela Polícia Militar durante uma reintegração de posse no Centro Paula Souza, em São Paulo. Ambos os protestos compartilham o objetivo de pressionar o governo em relação aos desvios de verba destinados à compra de merenda escolar.
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De acordo com o representante da Poesp em Ribeirão Preto, é crucial investigar as denúncias no estado com a mesma atenção dada às investigações no governo federal. “A corrupção é independente da esfera de governo. Queremos que se investigue e se apure. Se são inocentes, ótimo, mas para isso é necessária uma investigação, como acontece na esfera federal”, afirmou.
Universitários Protestam na USP de Ribeirão Preto
Paralelamente, outro protesto ocorreu no campus da USP em Ribeirão Preto, onde universitários denunciaram irregularidades na eleição dos novos coordenadores do curso de filosofia. Os estudantes alegam que o processo eleitoral concedeu 93% do poder de voto aos professores, contrariando as diretrizes da USP, que estipulam um limite de 70%, reservando 30% para os estudantes.
Wesley Avelar, um dos estudantes, acredita que a eleição contraria a vontade dos alunos e compromete o aprendizado na universidade pública. “Temos questões sobre o centro de vivência, que foi deslocado para um lugar inadequado, e enfrentamos problemas de segurança e sucateamento”, relatou. Os alunos permanecem acampados em frente ao prédio da Faculdade de Filosofia há mais de 24 horas, exigindo novas eleições e prometendo ocupar as dependências do prédio caso não haja diálogo.
Os eventos em Ribeirão Preto e São Paulo demonstram a crescente pressão da sociedade civil por transparência e responsabilidade na gestão dos recursos públicos, tanto na educação básica quanto no ensino superior.



