Crescimento no fluxo junto a casos de imprudência são fatores principais para a alta nos acidentes; alterações são estudadas
O anel viário sul em Ribeirão Preto tem registrado um aumento significativo no número de acidentes de trânsito, Anel Viário Sul registra aumento no número de acidentes e ascende alerta sobre problemas na via, em grande parte atribuídos à imprudência e ao desrespeito às regras básicas de circulação. Segundo dados da concessionária responsável pela administração do trecho, no primeiro semestre de 2024 foram registrados 160 acidentes, dos quais mais de 60% foram colisões traseiras, indicando falta de distanciamento seguro entre os veículos ou desatenção dos motoristas.
O tráfego intenso e o comportamento inadequado dos condutores têm transformado o anel viário, que originalmente deveria funcionar como uma via rápida de passagem, em uma espécie de avenida urbana com congestionamentos frequentes, principalmente no final da tarde. Motoristas relatam que o trânsito parado e as manobras arriscadas, como mudanças de faixa repentinas, aumentam o risco de colisões e engavetamentos, que são os tipos de acidentes mais comuns na região.
Acidentes recentes e vítimas: O acidente mais recente ocorreu no último domingo, quando Luciano da Silva, de 47 anos, foi atropelado enquanto andava de bicicleta no anel viário sul. Ele faleceu no local antes da chegada do socorro. O motorista envolvido, um estudante de 19 anos, foi identificado como tendo consumido bebida alcoólica antes de dirigir.
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Em outro episódio, no início de julho, Victor Hugo dos Santos Ambrósio, de 22 anos, morreu após perder o controle da motocicleta e colidir contra uma placa na marginal do anel viário sul. Também na última quinta-feira, um engavetamento envolvendo cinco veículos foi registrado, resultando em uma pessoa com ferimentos leves.
Além disso, no dia 21 de fevereiro, foram contabilizados cinco acidentes em um trecho de menos de 10 quilômetros, incluindo três colisões traseiras e dois engavetamentos, todos ocorridos no horário de pico.
Medidas de controle e fiscalização: Para tentar controlar a velocidade e reduzir os riscos, a concessionária instalou diversos radares entre os quilômetros 307 e 325, além de placas de sinalização para orientar os motoristas. Apesar dessas medidas, o volume de veículos e a forma como a via tem sido utilizada continuam elevando o índice de acidentes.
Especialistas apontam necessidade de reestruturação
O engenheiro especialista em trânsito Anderson Manzoli destaca que o anel viário sul perdeu sua função original, que era servir como um corredor rápido para motoristas que transitam pela região e seguem para outras rodovias. Atualmente, o anel é usado como uma via local para deslocamentos dentro da cidade, o que aumenta o risco de acidentes.
“O ideal é que o anel viário tenha bastante mobilidade e poucos acessos para que ele sirva realmente como um corredor de passagem. Quando a cidade se expande para além do anel, o que deveria ser um ponto de passagem acaba virando quase uma avenida. Isso eleva muito o risco de acidentes e faz com que o anel perca sua função original”, explicou Manzoli.
Ele ressalta que, embora o projeto original do anel viário tenha sido adequado para a época em que foi concebido, a atual realidade exige novas soluções, como a construção de um novo anel viário ou outras alternativas para reduzir o conflito gerado pelo grande volume de veículos.
Posicionamento da concessionária e órgãos públicos: A concessionária responsável pela administração do anel viário informou que realiza ações preventivas para reduzir os acidentes e que houve uma diminuição de 22% no número de ocorrências no primeiro semestre de 2024 em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Sobre a possibilidade de construção de um novo anel viário, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) confirmou que está estudando alternativas para a região, mas não foram divulgados detalhes ou prazos para a implementação de projetos.
Panorama
O anel viário sul de Ribeirão Preto enfrenta desafios relacionados ao aumento do fluxo de veículos e ao uso inadequado da via, que compromete a segurança dos usuários. Dados recentes indicam que a maioria dos acidentes ocorre por colisões traseiras, reflexo da alta densidade de tráfego e da falta de atenção dos motoristas. Medidas como radares e sinalização foram implantadas, mas especialistas defendem a necessidade de reestruturação viária para garantir a mobilidade e a segurança no local. Enquanto isso, autoridades estudam alternativas para melhorar a situação, sem previsão de mudanças imediatas.



