Pesquisador da Fiocruz, Rodrigo Stabeli, fala da influência da pandemia no aumento destes números
O Brasil registrou em 2020 o maior número de mortes atribuíveis ao álcool desde 2010, segundo a publicação “Álcool e a saúde dos brasileiros: panorama 2022”. Em entrevista à Rádio CBM, Rodrigo Estábili, diretor e pesquisador da Fiocruz, analisou esse preocupante aumento.
Álcool e Pandemia: Uma Relação Direta?
Estábili explica que a pesquisa considera mortes diretamente causadas pelo alcoolismo e aquelas que poderiam ter sido evitadas com a ausência de consumo de álcool. Ele destaca o aumento das doenças mentais, como depressão e ansiedade, durante a pandemia, e a utilização do álcool como forma de lidar com as crises econômicas e emocionais. O Brasil, comparado a países como os Estados Unidos, apresentou um crescimento mais acentuado no número de mortes relacionadas ao álcool, mesmo considerando o uso de outras drogas nesses países.
Consequências para a Saúde Pública
O aumento do alcoolismo impacta diretamente o sistema de saúde pública, com 15% das internações em UTIs atribuídas aos efeitos do álcool em 2022. Este número tende a crescer após a pandemia, devido ao acúmulo de doenças crônicas relacionadas ao consumo de álcool. Estábili enfatiza a necessidade de políticas públicas integradas, que contemplem não apenas o tratamento da dependência química, mas também o apoio psicológico às famílias afetadas.
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A Necessidade de uma Ação Integrada
O especialista destaca a urgência de programas de saúde pública que abordem o alcoolismo como uma pandemia, considerando seu impacto devastador nas famílias. Ele ressalta a importância da conscientização individual, do tratamento psicológico e da compreensão dos fatores que levam ao uso de álcool. A falta de continuidade nas políticas de saúde mental e combate às drogas ao longo dos anos, devido a mudanças de governo, é apontada como um entrave significativo. A sociedade moderna não pode ignorar os aspectos psicossociais que contribuem para o problema. O SUS oferece tratamento, mas é necessário intensificar o acesso a essas informações e serviços.



