Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marisa Fernandes
As operadoras de planos de saúde no Brasil terão um prazo de 180 dias para se adaptarem às novas diretrizes estabelecidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em relação ao parto normal. Essas mudanças visam promover uma assistência mais humanizada e reduzir o número de cesarianas desnecessárias.
O Cenário Atual das Cesarianas no Brasil
O Brasil ainda apresenta um número elevado de cesarianas em comparação com partos normais. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 84% dos partos no país são cesáreas, enquanto a recomendação seria de apenas 15%. Essa discrepância coloca o Brasil em desacordo com as diretrizes internacionais de saúde.
A taxa de cesáreas é particularmente alta nos planos de saúde suplementar, chegando a 80% ou 90% dos partos. Essa prática, muitas vezes motivada por conveniência ou questões financeiras, expõe as mulheres a riscos desnecessários, já que a cesariana, quando não há indicação médica, apresenta maiores riscos em comparação ao parto vaginal.
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Medidas da ANS e o Impacto no Atendimento
Para reverter esse cenário, a ANS está implementando medidas como o uso do cartão da gestante e do partograma. O cartão da gestante é um documento que registra informações importantes sobre a saúde da mulher durante a gravidez, facilitando o acesso a dados cruciais em situações de emergência. O partograma, por sua vez, é um gráfico que monitora a evolução do trabalho de parto, permitindo identificar precocemente possíveis complicações e tomar decisões mais assertivas.
Além disso, a ANS está incentivando a divulgação do número de cesarianas realizadas por cada médico e operadora, buscando aumentar a transparência e a responsabilidade no setor. A implementação de plantões multiprofissionais, com equipes disponíveis 24 horas por dia, é outra medida importante para garantir uma assistência adequada e evitar a realização de cesarianas por falta de tempo ou recursos.
A Importância da Conscientização e do Trabalho em Equipe
É fundamental que as pacientes sejam conscientizadas sobre os benefícios do parto normal e que se sintam seguras e confiantes durante todo o processo. O trabalho em equipe, com a presença de diversos profissionais de saúde, é essencial para garantir uma assistência completa e individualizada. A paciente deve ser orientada desde o início sobre o papel de cada profissional e sobre o fato de que o parto é um evento fisiológico que deve ser conduzido pela própria mulher.
As iniciativas da ANS representam um passo importante para promover uma assistência mais humanizada e segura para as gestantes brasileiras. Ao priorizar o parto normal e reduzir o número de cesarianas desnecessárias, é possível melhorar a saúde das mulheres e dos bebês, além de otimizar os recursos do sistema de saúde.



