Portadores de doenças raras e pacientes sem chances de cura serão os principais beneficiados
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso de terapias alternativas para pacientes com enfermidades complexas e sem outras opções de tratamento disponíveis, em uma decisão inédita que permite o desenvolvimento e registro de produtos derivados de células humanas no Brasil.
Terapias Avançadas e suas Aplicações
De acordo com Julieta Ueta, professora da USP Ribeirão Preto, área de Farmácia, essas terapias avançadas empregam células e genes manipulados para criar medicamentos que tratam problemas de saúde intratáveis com tecnologias atuais. Exemplos incluem o reparo de danos na córnea usando engenharia de tecidos (já aprovado na Europa), tratamento de problemas articulares com culturas de células e terapias contra o câncer com células geneticamente modificadas. Um caso em Ribeirão Preto demonstrou a eficácia dessa última abordagem, embora o paciente tenha falecido posteriormente em um acidente doméstico.
Avanços e Implicações da Decisão da Anvisa
Essa decisão representa um avanço significativo, permitindo que o Brasil pesquise, desenvolva e produza essas novas tecnologias, além de registrar produtos desenvolvidos em outros países. A Anvisa, em colaboração com agências internacionais, busca manter padrões globais de segurança e eficácia. É importante destacar que essas terapias ainda estão em fase de testes e seu desenvolvimento completo pode levar uma década ou mais. O SUS já se prepara para incorporar essas terapias, considerando seu custo e benefício em comparação com tratamentos existentes.
Riscos e Considerações Éticas
Embora promissoras, essas tecnologias apresentam riscos, incluindo a possibilidade de insucesso. A manipulação genética e tecidual levanta questões éticas complexas, especialmente no que diz respeito a tratamentos estéticos ou alterações genéticas que poderiam ter consequências sociais de longo alcance. A sociedade precisa discutir e definir os limites éticos do uso dessas tecnologias, ponderando os benefícios e riscos potenciais para a saúde e para a sociedade como um todo.



