Substância amarelada encontrada na bile provoca bactéria que pode até matar o bebê
Um novo dispositivo, com custo 40% inferior ao de modelos importados, está revolucionando a detecção e tratamento da icterícia neonatal em hospitais brasileiros. A icterícia, caracterizada pela coloração amarelada da pele do bebê devido ao acúmulo de bilirrubina, um pigmento resultante da quebra natural de células vermelhas do sangue, exige, em muitos casos, o tratamento com fototerapia, popularmente conhecido como “banho de luz”.
O Problema da Bilirrubina e a Necessidade de Monitoramento
A bilirrubina está presente no corpo de todos, sendo normalmente eliminada pelas fezes. No entanto, em recém-nascidos, o sistema digestivo ainda imaturo pode dificultar esse processo, levando ao acúmulo do pigmento. O “banho de luz” auxilia na diluição da bilirrubina, mas o médico neonatologista Gonçalves alerta que o excesso não controlado pode acarretar sérios problemas. A bilirrubina em excesso pode atingir o cérebro, impregnando os núcleos da base e causando a encefalopatia bilirrubínica, uma condição grave que pode levar à morte ou deixar sequelas como paralisia cerebral.
A Inovação no Diagnóstico: Rapidez e Precisão
Tradicionalmente, a medição da bilirrubina é realizada por meio de exame de sangue, cujo resultado pode levar até quatro horas. O novo equipamento, desenvolvido em Ribeirão Preto, promete agilizar e baratear esse processo. Com apenas duas gotas de sangue, o resultado fica pronto em cinco minutos. Segundo o médico envolvido no desenvolvimento, o equipamento oferece alta confiabilidade e permite uma dosagem rápida da bilirrubina total, essencial para a tomada de decisão sobre a necessidade de fototerapia.
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Tecnologia Acessível e Impacto nos Hospitais
O medidor é fruto de uma parceria entre uma instituição de pesquisa e uma indústria de equipamentos médicos. Com um custo de pouco mais de R$ 10 mil, o que representa 40% do valor de um equipamento importado, o dispositivo já está em uso em pelo menos cinco hospitais brasileiros. O diretor da empresa, Eduardo Alimere, destaca que a precisão dos resultados elimina a necessidade de submeter o recém-nascido a exames laboratoriais extensos.
É importante lembrar que a icterícia pode ser causada também pela incompatibilidade sanguínea entre mãe e filho, exigindo atenção redobrada. Embora a icterícia atinja até 70% dos recém-nascidos, apenas cerca de 10% necessitam de fototerapia. A exposição à luz solar também auxilia na diluição da bilirrubina, sendo o banho de sol recomendado para bebês e adultos.
O desenvolvimento e a implementação desse novo equipamento representam um avanço significativo no cuidado com a saúde neonatal, proporcionando um diagnóstico mais rápido, preciso e acessível da icterícia.



