Nesta quinta-feira (4) é celebrado o dia mundial de combate à obesidade; médico cirurgião, Andé Augusto Pinto, fala sobre o tema
O Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, destaca uma doença que afeta 1 em cada 5 pessoas, com mais da metade da população mundial acima do peso. Considerada uma epidemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é uma doença crônica, progressiva e recorrente, afetando 600 milhões de adultos e 100 milhões de crianças, causando 4 milhões de mortes anualmente.
Obesidade e Sobrepeso: Entendendo a Diferença
A OMS estima que até 2025, mais de 700 milhões de pessoas serão obesas e cerca de 2,3 bilhões terão sobrepeso. É crucial entender a diferença entre esses termos. A classificação mais comum utiliza o Índice de Massa Corpórea (IMC), calculado dividindo o peso pelo quadrado da altura. IMC acima de 25 indica sobrepeso, enquanto IMC acima de 30 indica obesidade (grau 1: 30-35; grau 2: 35-40; grau 3: acima de 40, popularmente conhecida como obesidade mórbida; acima de 50, superobesidade). IMC acima de 30 aumenta significativamente o risco de doenças como hipertensão e diabetes.
Cirurgia Bariátrica: Indicações, Riscos e Benefícios
A cirurgia bariátrica é indicada para pacientes com IMC acima de 40 (obesidade grau 3) e para aqueles com IMC entre 35 e 40 (obesidade grau 2) que apresentam doenças associadas à obesidade, como hipertensão, diabetes e colesterol alto. Embora seja um procedimento seguro, com baixo risco de complicações graves (em torno de 0,8%), é fundamental uma avaliação médica completa. A cirurgia pode ser realizada por videolaparoscopia, minimizando a invasão e acelerando a recuperação.
Leia também
Obesidade, Covid-19 e Fatores Genéticos
A obesidade é um fator de risco significativo para complicações graves da Covid-19, especialmente em indivíduos abaixo de 60 anos. Embora não aumente o risco de contrair a doença, aumenta drasticamente a probabilidade de casos graves. Apesar dos desafios da pandemia, os centros especializados em cirurgia bariátrica seguem protocolos para realizar os procedimentos eletivamente, sempre considerando a gravidade da situação nos hospitais. A obesidade tem componente genético, mas fatores comportamentais, alimentares e socioeconômicos são ainda mais preponderantes. Intervenções precoces, como mudanças de hábitos alimentares e atividades físicas, são cruciais, principalmente na infância, para prevenir o desenvolvimento da obesidade. O acesso à cirurgia bariátrica pelo SUS ainda é limitado, necessitando de mais centros especializados e investimentos para garantir o atendimento adequado à população.
A prevenção e o tratamento da obesidade requerem uma abordagem multidisciplinar, envolvendo mudanças no estilo de vida, acompanhamento nutricional e psicológico, e, em casos graves, a cirurgia bariátrica. É fundamental buscar auxílio médico para avaliação e orientação individualizada, considerando os fatores de risco e a gravidade da condição.



