Grande maioria dos estabelecimentos ainda não adotou os protocolos da campanha ‘Não se Cale’; executivo da Abrasel explica
Apenas cerca de 20% a 25% dos bares, restaurantes e casas noturnas de Ribeirão Preto têm funcionários certificados e protocolos afixados para cumprir as determinações do programa “Não Se Cala”, que estabelece procedimentos de prevenção e combate à violência contra a mulher no estado de São Paulo, segundo levantamento interno de uma associação que representa o setor.
A adesão ao protocolo
O percentual apontado pela pesquisa interna foi confirmado por Vinícius Iose, executivo da associação, em entrevista à CBN. “A porcentagem informada vinha de uma pesquisa interna nossa, que apontava no começo de abril para um número perto desses 20% a 25% de estabelecimentos que já realizaram o curso obrigatório e colocaram os cartazes”, afirmou. Iose ressaltou, contudo, que esse número vem crescendo.
Problemas técnicos e prazos
Um dos entraves para a adesão plena é a dificuldade técnica com o sistema estadual: o link para que cada funcionário faça o curso online é gerado pelo governo e, segundo a associação, o prazo para recebimento desse e-mail tem sido de até 18 dias. Além disso, os cursos devem ser individuais para cada integrante das equipes, o que amplia o tempo necessário para a certificação de todos os colaboradores.
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A fiscalização e a possibilidade de autuação, multa ou até mesmo interrupção das atividades cabem ao Procon, que deve começar a aplicar as sanções após o encerramento do prazo de regularização, previsto para abril. Enquanto isso, a atuação da associação tem se concentrado em conscientizar empresários, empregados e o público sobre a importância da medida.
Medidas da associação e articulação local
Segundo Iose, a associação representa entre 10% e quase 15% dos aproximadamente 3.500 a 4.000 estabelecimentos de alimentação do município, e tem intensificado a divulgação e a oferta de alternativas para acelerar a formação. Entre as iniciativas estão cursos presenciais organizados com lideranças locais e um evento em parceria com a Secretaria de Assistência Social e a Câmara de Vereadores, previsto para atender 200 pessoas e aberto à população, com prioridade para associados.
O objetivo, disse o executivo, é que Ribeirão Preto seja referência também na prevenção ao assédio e à violência contra a mulher no ambiente de lazer e alimentação: “É um desejo da associação, da Secretaria e do poder público que a cidade seja referência no combate e na prevenção”. A entidade pede ainda que frequentadores cobrem adequação dos estabelecimentos onde costumam ir, para acelerar a conformidade.
Apesar dos esforços, Iose evitou cravar prazos para atingir a totalidade dos estabelecimentos e afirmou que a associação seguirá acompanhando a implementação e apoiando o diálogo com o poder público para ampliar a adesão.



