Apenas 24% dos brasileiros entre 25 e 34 anos concluíram o ensino superior. O índice representa metade da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de 48%, segundo dados citados durante debate na CBN.
Na comparação com países da América Latina, o Brasil também aparece atrás de nações como Peru, Chile, Colômbia e México, ficando apenas à frente da Argentina nesse recorte etário. O especialista em avaliação e regulação da educação superior Antônio Esteca classificou o percentual como muito baixo e destacou as desigualdades regionais.
Segundo ele, o crescimento registrado desde 2013 está concentrado principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Estados como São Paulo e Distrito Federal apresentam índices mais elevados, enquanto unidades do Nordeste ainda têm percentuais significativamente menores, o que impacta a média nacional.
Esteca alertou que a baixa formação superior afeta diretamente o desenvolvimento do país. De acordo com ele, indústrias de alta tecnologia deixam de se instalar no Brasil por falta de mão de obra qualificada. A carência, segundo o especialista, vai desde formação técnica até nível superior, o que pode provocar a saída de empresas e reduzir a competitividade econômica.
“Indústrias de alta tecnologia não encontram mão de obra aqui no nosso país, então elas não conseguem se instalar”, destacou.
Ensino a distância
Entre os caminhos para ampliar o acesso, o especialista citou o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que ajudou a elevar o número de matrículas, mas teve problemas de gestão ao longo dos anos. Ele também destacou o avanço da educação a distância como alternativa mais acessível financeiramente. Para Esteca, cursos EAD podem oferecer qualidade, desde que haja regulação adequada e compromisso das instituições.
“Há cursos presenciais bons e ruins. Há cursos a distância bons e ruins. A avaliação tem que ser para todos”, disse.
Atualmente, a legislação proíbe a oferta totalmente a distância para cursos como medicina, psicologia, odontologia, enfermagem e direito. O desafio, segundo o especialista, é equilibrar a ampliação do acesso e a garantia de qualidade.



