Médico sanitarista, Daniel Cardoso de Almeida Araújo, dá detalhes sobre a doença e aponta os benefícios da imunização
Em entrevista ao Giro CBN, Daniel Cardoso de Almeida Araújo, chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica, alertou sobre os baixos índices da campanha nacional de vacinação contra a poliomielite.
Cobertura Vacinal Preocupante
Atualmente, apenas um pouco mais de 40% das crianças de 1 a menos de 5 anos receberam a vacina. Esse número é considerado extremamente baixo e preocupante, representando a menor cobertura vacinal contra a pólio da série histórica acompanhada pela vigilância epidemiológica. A baixa adesão à vacinação reflete o impacto da pandemia, com as pessoas tendo receio de procurar os postos de saúde.
Importância da Campanha e Vacinação Fora do Período
A campanha de vacinação em massa é crucial, pois permite a aplicação de uma grande quantidade do vírus vacinal atenuado (Sabin), que compete com o vírus selvagem, reduzindo o risco de retorno da doença. Apesar da campanha, a vacinação contra a pólio faz parte do calendário vacinal regular. Crianças menores de um ano recebem a vacina inativada (injetável), enquanto as maiores de um ano, já imunizadas com as três doses iniciais, recebem a vacina oral (gotas). A vacina oral é segura para crianças com as três primeiras doses da vacina injetável aplicadas. Mesmo fora do período da campanha, a vacinação está disponível na rotina das unidades de saúde.
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Crianças com Quadros Clínicos Especiais e Perda da Carteira de Vacinação
A vacina oral contra pólio é contraindicada apenas para crianças com imunidade baixa ou que não receberam a vacina injetável. Para outras crianças, inclusive portadoras de síndromes como a de Down, a vacinação é recomendada. A perda da carteira de vacinação não impede a imunização; é possível obter a segunda via e atualizar o registro vacinal. O sistema eletrônico permite o resgate das informações de vacinação prévias.
A meta da campanha é atingir 95% de cobertura vacinal (imunização de rebanho). Embora a campanha tenha sido prorrogada, a recomendação é que as famílias procurem os postos de saúde para vacinar seus filhos o mais breve possível, pois a prorrogação não é garantida.



