Nelson Rocha Augusto explica o atual cenário econômico do país e o que deve gerar o esfriamento; ouça o ‘CBN Economia’
O nível da atividade econômica no primeiro bimestre apresentou um fechamento positivo, Apesar de bom desempenho no primeiro, impulsionado por fatores como o elevado nível de emprego, a expansão significativa do crédito no ano anterior, o aumento da demanda devido ao verão quente e o turismo fortalecido, tanto doméstico quanto internacional, especialmente com o carnaval no início de março.
Fatores que sustentam a atividade econômica
O emprego elevado e a contratação intensa em 2023, além da expansão do crédito, contribuíram para o desempenho positivo. O verão quente aumentou a demanda por eletrodomésticos e bebidas, enquanto o turismo, beneficiado pelo calendário do carnaval e recordes de visitantes estrangeiros, também impulsionou a economia.
Motivos para a desaceleração futura: Quatro fatores principais indicam uma possível desaceleração da atividade econômica nos próximos meses:
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- Taxa de juros elevada: Desde junho do ano passado, a taxa de juros tem subido, impactando negativamente o custo do capital para empresas e o crédito para famílias, com efeitos defasados.
- Inflação em alta: Após uma queda em janeiro devido a fatores específicos do setor elétrico, a inflação voltou a crescer em fevereiro, pressionada por itens essenciais como café, carnes e óleo, o que reduz o consumo.
- Cenário internacional incerto: A postura agressiva do governo dos Estados Unidos, com decretos e medidas protecionistas, gera incertezas que afetam o comércio exterior e, consequentemente, a economia brasileira.
- Falta de avanços governamentais: Desde o final do ano passado, o governo não apresentou medidas econômicas novas ou reformas significativas, com o Congresso em ritmo lento e programas como a expansão do crédito consignado ainda não aprovados.
Impactos regionais e perspectivas: Na região, a grande safra agrícola deve mitigar parte dos efeitos negativos, mantendo atividades relacionadas ao transporte, processamento e exportação. No entanto, a expectativa é de desaceleração mais acentuada a partir de março, com redução no emprego, vendas e consumo das famílias entre abril e junho.
Expectativas para o segundo semestre: Espera-se que a inflação mais controlada e eventuais ações governamentais possam criar espaço para medidas que reestimulem a economia, como a redução das taxas de juros e programas de investimento.
Informações adicionais
O governo tem enfrentado dificuldades para avançar em reformas e políticas econômicas, como evidenciado pelas recentes discussões sobre preços dos combustíveis, que dependem de fatores macroeconômicos complexos, incluindo a taxa de câmbio.