Infectologista, Rubens Pereira do Santos, explica quais são as causas e como este período do ano contribui para o cenário
A Santa Casa de Franca anunciou o reagendamento de 125 cirurgias de média e alta complexidade que estavam previstas para maio. A decisão foi tomada devido ao aumento expressivo nos atendimentos de urgência e emergência relacionados a síndromes respiratórias, Apesar de esperado, alta em casos, como H1N1 e gripe. O anúncio ocorreu após reunião entre a gestão do hospital, representantes do Ministério Público da Prefeitura e do Departamento Regional de Saúde do Estado.
Os procedimentos, inicialmente programados para ocorrer entre 15 e 31 de maio, Apesar de esperado, alta em casos, serão reagendados conforme prioridade, capacidade de atendimento e fluxo de urgência, sem comprometer a segurança dos pacientes. A medida também abrange cirurgias eletivas realizadas por convênios médicos, e o hospital não descarta a possibilidade de remanejamento para os meses seguintes.
Thiago da Silva, diretor administrativo do grupo Santa Casa, informou que uma nova reunião está marcada para 30 de maio com representantes do Ministério Público, Prefeitura de Franca e Santa Casa para reavaliar as ações e decidir sobre possíveis novas medidas. A Santa Casa realiza em média mil cirurgias e 1.500 atendimentos de urgência e emergência por mês, número que subiu para 1.750 recentemente devido ao aumento dos casos de síndromes respiratórias agudas graves. Segundo o diretor, não há falta de materiais, medicamentos ou equipe médica.
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Contexto do aumento de síndromes respiratórias
O aumento dos casos está relacionado principalmente a doenças como H1N1, influenza e vírus respiratório sincicial (VSR), que afetam crianças e adultos. O remanejamento dos procedimentos visa garantir a segurança dos pacientes e a capacidade de resposta da instituição.
“Observamos um aumento mais intenso do que o esperado das influenzas H3N2, H1N1, influenza B e do vírus respiratório sincicial, que pode acometer crianças e idosos. Abril, maio, junho e julho devem apresentar aumento desses quadros, o que exige atenção redobrada e vacinação adequada”.
Alerta do infectologista Rubens Bondi: Bondi ressaltou a importância da vacinação, especialmente para grupos prioritários como idosos e crianças, e alertou para a possibilidade de agravamento dos casos nas próximas semanas.
Casos graves e prevenção: O infectologista comentou sobre o caso recente de um menino de dois anos em Ribeirão Preto que faleceu devido a complicações respiratórias graves, possivelmente relacionadas a bronquiolite. Ele destacou a gravidade da doença, que pode levar a broncoespasmo severo e necessidade de internação em unidade de terapia intensiva.
“Não dispomos de antivirais para o vírus respiratório sincicial, diferente da gripe A, para a qual há medicamentos como o oseltamivir. A vacinação é fundamental para prevenção, e os cuidados devem ser redobrados para evitar complicações”.
Além da vacinação, o uso de máscara ao apresentar sintomas respiratórios foi recomendado para evitar a disseminação dos vírus. Bondi também enfatizou a importância de buscar atendimento médico imediato em casos de febre alta, queda do estado geral, vômitos ou dificuldade respiratória.
Diagnóstico e tratamento: O médico explicou que, apesar da existência de testes que identificam múltiplos vírus respiratórios, o custo pode ser elevado e o acesso limitado. Na rede pública, são realizados testes para covid-19 e influenza A e B, que permitem o uso de antivirais específicos quando indicados.
“O oseltamivir, se iniciado nas primeiras 24 a 72 horas, pode modificar o curso da gripe A e B. Para outros vírus, o tratamento é apenas de suporte e prevenção da transmissão”.
Informações adicionais
As casas de longa permanência para idosos em Ribeirão já receberam agentes de saúde para vacinação contra a gripe. A orientação é que familiares e cuidadores também reforcem a importância da imunização e das medidas preventivas para proteger grupos vulneráveis.



