Produtor flagrou um avião pulverizando uma área vizinha, o que poderia ter causado a morte dos insetos; Cetesb investiga
Um apicultor de Jardinópolis, Antônio Anderson de Matos Magalhães, sofreu um prejuízo devastador após a pulverização aérea de uma área rural próxima ao seu apiário. Mais de 50 mil abelhas morreram em decorrência do incidente, que ocorreu na manhã de ontem.
A Pulverização e suas Consequências
Anderson relatou ter observado um avião realizando a pulverização por volta das 6h da manhã. Após a aplicação, ele constatou a alta mortalidade das abelhas, atribuindo o fato ao forte cheiro de veneno presente no ar. O apicultor possuía cerca de 30 caixas de abelhas, cada uma com 50 a 60 mil abelhas, representando um investimento de aproximadamente R$ 450 mil em materiais e mão de obra ao longo dos quatro anos de criação.
Investigação em Andamento
Um boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil, e Anderson busca identificar o proprietário da área pulverizada para que seja realizada uma investigação completa. Amostras foram coletadas para análise, buscando comprovar a relação entre a pulverização e a morte das abelhas. O apicultor afirma que a intensa movimentação e o comportamento das abelhas mortas indicam um envenenamento, diferente da morte natural.
Leia também
Responsabilidade e Impacto Ambiental
Otávio Ocano, gerente da CETESB, explicou que a pulverização aérea exige autorização e o cumprimento de normas rígidas, incluindo altura de voo, condições de vento e distância de áreas vizinhas. O não cumprimento dessas normas pode resultar em responsabilidades criminais, considerando o dano ambiental causado. Ocano ressaltou a importância da orientação e treinamento para pilotos, evitando acidentes como este. A CETESB nunca havia enfrentado um caso semelhante envolvendo apicultores, embora já tenha registrado incidentes que impactaram residências. A gravidade da situação destaca a importância das abelhas para a polinização e produção de alimentos, com cerca de um terço dos frutos e legumes dependendo desse processo natural.
O caso segue em investigação, com Anderson buscando contato com o responsável pela pulverização e a CETESB apurando as responsabilidades. A situação evidencia a necessidade de maior conscientização e rigor no manejo de agrotóxicos para preservar a biodiversidade e evitar prejuízos à agricultura.



