Quem conta essa história é a Daniela Lemos no ‘Nossa Gente’ deste sábado (16). Confira!
A trajetória de Mauro Ferreira, professor, doutor em arquitetura pela USP e apaixonado por gibis, é uma história de leitura, coleção e preservação cultural. Seu amor pelos quadrinhos começou na infância, nos anos 60, em Franca, interior de São Paulo, e o levou a acumular uma coleção de mais de 2300 exemplares, recentemente doados à biblioteca da Unesp.
O início da paixão: Gibis e alfabetização
Em uma época com poucas bibliotecas, Mauro descobriu a magia dos quadrinhos por meio das tirinhas de jornal e, posteriormente, nas gibis da única livraria da cidade. Destaca a importância do formato em quadrinhos para o aprendizado, combinando texto e imagem, e a influência de autores como Ralph Foster (Príncipe Valente) e o impacto visual na compreensão de narrativas.
A coleção e o contexto histórico:
A coleção, iniciada na infância com a “Associação Prudentina de Esportes Atléticos”, cresceu ao longo da vida, expandindo-se durante os anos da ditadura militar. Mauro relata a importância dos quadrinhos como forma de resistência à censura, citando jornais como o Pasquim e a influência de cartunistas como Ziraldo. Ele destaca a utilização de humor e estratégias criativas para criticar o regime, sem sofrer retaliações diretas. A coleção também inclui exemplares de autores internacionais, refletindo a influência da cultura global e a evolução da linguagem dos quadrinhos.
Doação e legado:
A decisão de doar a coleção à Unesp demonstra o desejo de Mauro em tornar o material acessível ao público. A preservação e o compartilhamento da coleção representam um legado cultural, permitindo que novas gerações acessem esse acervo histórico e compreendam a importância dos quadrinhos na formação da identidade cultural brasileira. A doação também reflete a trajetória pessoal de Mauro, que valoriza a leitura e a democratização do acesso à cultura.



