Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marisa Fernandes
Dona Aparecida, uma aposentada de Ribeirão Preto, foi vítima de um golpe enquanto sua mãe estava internada. Sua filha, Conceição, relatou que recebeu uma ligação de um indivíduo que se passava por médico, apenas dois dias após a internação de sua mãe. O golpista possuía informações detalhadas sobre o histórico de saúde da paciente.
A Credibilidade Abusada
Confiando na suposta credibilidade do hospital e na precisão das informações fornecidas pelo falso médico, Dona Aparecida realizou dois depósitos na conta bancária indicada, totalizando R$1.240. A conta estava em nome de uma mulher e era sediada em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. “Ele sabia tudo, não tinha como desconfiar que não era um médico falando”, desabafou Conceição.
O golpista alegou que a quantia seria destinada a um remédio de alto custo, supostamente obtido a um preço mais acessível através de um laboratório. A filha questiona como o fraudador tinha acesso a informações tão específicas sobre a saúde de sua mãe.
Leia também
A Descoberta do Engano
Após efetuar os depósitos, Conceição foi ao quarto do hospital e descobriu que nenhum medicamento de alto custo havia sido adquirido. “Eu falava para minha sobrinha: ‘Ele entregou, ele entregou’. Você chamou o Dr. Gustavo? Foi? Não, ninguém viu ninguém, ninguém trouxe nada aqui”, relatou.
A fraude foi confirmada quando, às 11 horas da manhã, Conceição procurou o Dr. Gustavo e foi informada de que se tratava de um golpe.
Investigações em Andamento
Um boletim de ocorrência foi registrado por estelionato. Casos semelhantes já foram noticiados no Brasil. Uma reportagem do Fantástico, exibida em 1º de março, revelou um golpe idêntico praticado por um detento de uma penitenciária de segurança máxima no Mato Grosso do Sul. De dentro da cela, o criminoso arrecadava cerca de R$ 200 mil por mês, enganando familiares de pacientes internados. Mais de 40 vítimas foram identificadas, todas induzidas a depositar dinheiro para falsos tratamentos.
A polícia do Mato Grosso do Sul investigará o caso, buscando determinar se o golpista é o mesmo indivíduo preso em 2012. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) também apurará o caso, investigando possível quebra de sigilo dos prontuários dos pacientes.
O corregedor do Cremesp, Eduardo Bim, enfatizou a necessidade de investigar se houve vazamento de informações internas do hospital. Em nota, o Hospital São Francisco lamentou o ocorrido, ressaltando que nenhum funcionário está autorizado a solicitar pagamentos e que essa informação é comunicada às famílias e aos pacientes no manual de internação.
Este incidente serve como um alerta sobre a importância de verificar informações e desconfiar de solicitações financeiras inesperadas, especialmente em momentos de vulnerabilidade.



