Ouça a coluna ‘CBN Sustentabilidade’, com Carlos Alencastre
O plano diretor de Ribeirão Preto tem sido um tema constante nos últimos anos, com debates focados principalmente nas questões legislativas. O processo segue um padrão conhecido: o executivo elabora o projeto e a Câmara Municipal o discute, modifica e busca aprovação. Mas qual a importância desse plano para a cidade?
Um Plano Visionário de 1945
Em 1945, o prefeito de Ribeirão Preto contratou o engenheiro José Oliveira Reis para criar um plano diretor. Naquela época, a cidade tinha cerca de 40 mil habitantes e se concentrava no quadrilátero central. Reis projetou uma estrutura urbana capaz de abrigar 400 mil pessoas com conforto e qualidade de vida, prevendo um crescimento dez vezes maior.
A Cidade Atinge o Limite Previsto
Em 1991, o censo demográfico registrou 434.142 habitantes, mostrando que, em cerca de 45 anos, a cidade atingiu a capacidade projetada por Reis. No entanto, muitas das ideias do plano original não foram implementadas. Reis imaginou uma cidade sustentável, com a preservação do Bosque Fábio Barreto e dos fundos de vale, evitando a ocupação desordenada que causa enchentes. Ele propôs um cinturão verde e espaços livres ao longo dos córregos, criando áreas de lazer e saneamento.
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O Legado Não Implementado e as Consequências Atuais
O plano de José Oliveira Reis foi deixado de lado, em parte devido ao contexto político da época e a diferentes prioridades. A falta de visão sobre questões como a preservação do Aquífero Guarani também contribuiu para o abandono do projeto. Um plano diretor só foi elaborado em 1995, antes da exigência do Estatuto da Cidade. A ausência de um planejamento adequado resultou em problemas como trânsito caótico, enchentes e dificuldades habitacionais.
É crucial que a discussão sobre o plano diretor envolva todos os setores da sociedade, desde entidades de bairro até associações empresariais e de engenharia. O debate deve transcender as disputas políticas e focar no bem-estar da população. José de Oliveira Reis, inclusive, propôs a mudança do aeroporto para comportar aeronaves maiores, mostrando a visão de futuro que precisamos resgatar para construir uma Ribeirão Preto melhor.



