Um vizinho começou a recolher a sujeira, mas se sentiu intimidado por usuários de drogas que frequentam o local
O acúmulo de lixo invadiu uma área de preservação ambiental às margens da Avenida Caramuru, na zona sul de Ribeirão Preto. Moradores relatam que usuários de drogas levam restos de lixo para a mata e reviram sacos em busca de materiais de valor; parte do entulho também é descartada às margens de um córrego que corta a região.
Área de preservação e descarte irregular
O córrego que passa pela avenida — nas proximidades das ruas Adelmo Perdiza e Lusitana, atravessando o Jardim Flórida e seguindo para a Vila Virgínia até desaguar no Ribeirão Preto — tem trechos com características de pequena cachoeira e vegetação recuperada pela prefeitura. Segundo moradores, porém, a falta de manutenção facilita o acúmulo de lixo e a ação de pessoas que queimam fios para retirar o cobre. O fenômeno contribui para poluição ambiental e fragiliza a área de preservação.
O morador que tentou limpar: ameaças e problemas de saúde
O engenheiro agrônomo José Walter Figueiredo Silva, residente na Caramuru, conta que tentou cuidar do local por conta própria. Ele afirma ter recolhido mais de 100 sacos grandes de lixo, rasteado e adubado árvores, mas diz que a ação foi interrompida após ameaças veladas de criminosos e o surgimento de problemas de saúde: “Peguei dengue aqui”, relata. Segundo José Walter, a presença de pessoas que usam drogas e de receptadores de materiais furtados — e a chegada de grupos de fora mais agressivos — tornaram inviável a continuidade do trabalho voluntário.
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Resposta das autoridades
Em nota, a Secretaria de Infraestrutura informou que já realizou vistoria no local e que a limpeza está programada para esta semana, além de afirmar que jogar lixo em terreno de preservação é crime e que denúncias podem ser feitas pelos telefones 156 e 199. A Secretaria de Segurança Pública disse monitorar a área e orientou que crimes sejam denunciados pelo disque-denúncia da polícia civil (181) ou pela polícia militar (190). Moradores pedem medidas permanentes de vigilância e manutenção para evitar novos episódios de degradação e risco à saúde pública.
A reportagem segue acompanhando a situação e ouvirá moradores e autoridades sobre as ações previstas para garantir limpeza, segurança e preservação do trecho afetado.



