Duas exposições podem ser vistas até 1° de novembro no museu, que fica na Rua Barão do Amazonas, 323
Duas exposições imperdíveis aguardam os visitantes no Marpe, em Ribeirão Preto, com entrada franca até o dia 1º de novembro. A artista Adriana Amaral nos guia por seus trabalhos, revelando as inspirações e os significados por trás de cada imagem.
Entradas: Memórias e Reflexões
A série “Entradas” nasceu em 2010, a partir do contato de Adriana com as portas do colégio Santa Úrsula, onde foi alfabetizada. As portas despertaram reflexões sobre memórias, histórias vividas e compartilhadas. A artista expandiu a investigação, agregando temas como segredos, cumplicidades e a tênue linha entre o público e o privado. Ao longo de dois anos, Adriana fotografou diversas portas, incluindo uma da UGT de Ribeirão Preto, a de uma amiga de infância, a de um bar em São Paulo e até mesmo portas de fazendas. Originalmente composto por 12 portas, o projeto foi adaptado para a exposição, apresentando oito obras em escala humana. Uma curiosidade que permeia o trabalho é a referência às oito portas existentes em Jerusalém na época de Jesus Cristo, estabelecendo uma conexão simbólica e justificativa para a escolha do número.
Vacuidade: Um Mergulho Interior
“Vacuidade” é um desdobramento de uma exposição anterior, realizada em 2013, na casa onde Adriana viveu por 40 anos. As imagens foram capturadas de dentro para fora, em uma tarde chuvosa. A artista relata um momento de epifania ao observar a tempestade da janela do quarto dos pais, sentindo-se ainda “presa” a hábitos e expectativas. O título “Vacuidade” surgiu após ouvir uma monja budista descrever o termo como o mínimo intervalo de tempo entre um pensamento e outro. Adriana expande o conceito, relacionando-o ao intervalo entre a inspiração e a expiração, e ao tempo da fotografia. A palavra “vacuidade” carrega consigo a essência da doutrina budista.
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Um Convite à Imersão Fotográfica
Ambos os trabalhos são apresentados em fotografias de grande formato, com escala humana. As janelas de “Vacuidade” reproduzem as dimensões reais dos quartos da antiga casa. Adriana Amaral convida a população de Ribeirão Preto e região a visitar a exposição, que oferece não apenas a apreciação das obras, mas também oficinas de fotografia com Tony Miyasaka, palestras com o filósofo Nando Araújo sobre o tema “Entradas” e vivências com o psicólogo Sergio Alete-filio. No dia 20 de outubro, os críticos de arte Carolina Suárez e Jaime Laureano estarão presentes para debater a obra “Vacuidade”. O Marpe está aberto de terça a sexta, das 9h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 12h às 18h.
A mostra representa uma rica oportunidade para vivenciar a fotografia em suas múltiplas camadas.



