Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Rodrigo Prioli
O Dia de Finados ganhou um significado diferente para o empresário Mário Fernando Belingieri, de 65 anos, morador de Jaboticabal. Ele decidiu usar as cinzas de seus pais, Mário Belingieri e Lúcia de Oliveira Belingieri, falecidos há mais de 20 anos, para criar uma obra de arte que eterniza a memória da vida simples e dos bons momentos em família.
A Inspiração por Trás da Obra
Mário Fernando, proprietário de um crematório na cidade, conta que a ideia surgiu ao observar os diversos destinos que as pessoas davam às cinzas de seus entes queridos. “Nós pesquisamos diversas fontes e observamos que tinha pessoa que acabava utilizando as cinzas dos seus familiares para pintar parede de casa, outros colocam numa árvore, outros jogam no rio”, relata.
Diante da liberdade de escolha sobre o destino das cinzas, Mário Fernando decidiu homenagear seus pais de uma forma única. “Já que os meus pais já tinham falecido há bastante tempo, nós realizamos a cremação dos ossos, contratamos o Paulo, que foi um artista fantástico, aceitou o desafio e escolhemos a forma que a gente queria”, explica.
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A Representação da Vida Simples
A preferência da família era reproduzir a paixão dos pais pela pesca e pela vida no campo. “Meu pai era uma pessoa muito simples, gostava de pescar, minha mãe era uma cabocla”, conta Mário Fernando. A ideia foi transmitida ao artista Paulo Tosta, que captou a essência da família na tela.
“Eu disse para ele, olha, eu quero um rio, um homem pescando e uma mulher estendendo roupas. Nós somos em cinco irmãos, então é um trabalho assim, árduo de uma mãe preparar roupa dos filhos”, detalha o empresário.
Um Legado Eternizado na Arte
O quadro, que retrata a cena idealizada, ocupa um lugar de destaque na sala de trabalho de Mário Fernando. “Depois da insuminação e da cremação e da realização do quadro, nós colocamos em um lugar aqui da empresa, de modo que eu não tenho necessidade de me dirigir até o cemitério municipal ao jazigo da família para poder me recordar dos meus pais”, afirma.
Para ele, a obra representa uma forma de manter viva a memória dos pais, associada aos bons sentimentos e ensinamentos. “Eu acho que as recordações devem ser sempre ligadas às coisas boas que a gente sentiu, às coisas boas que a gente aprendeu com aqueles que nos tutelaram nos primeiros momentos da vida. Então cada movimento que eu tenho aqui eu passo perto do quadro, olho pro quadro e me recordo do meu pai e da minha mãe.”
O artista plástico Paulo Tosta, responsável pela obra, destaca o desafio de trabalhar com um material de grande valor sentimental. “A proposta da paisagem do quadro foi uma ideia dele de onde os pais dele viviam, né, que era numa cena no local, no rural, no sítio, e ele descreveu mais ou menos como ele gostaria de lembrar dos pais dele, né.”
Tosta também ressalta que o uso das cinzas não apresentou dificuldades técnicas e que a experiência despertou o interesse de outras famílias em transformar o Dia de Finados em um momento de celebração e boas recordações.
Assim, a iniciativa de Mário Fernando Belingieri demonstra que a arte pode ser uma forma poderosa de honrar a memória de entes queridos, transformando a saudade em uma homenagem permanente.



