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As experiências de treinadores com a diversidade cultural

Um bate-papo com os treinadores Carlos Pimentel, Gabriel Magalhães e Marcelo Chamusca
As experiências de treinadores
Um bate-papo com os treinadores Carlos Pimentel, Gabriel Magalhães e Marcelo Chamusca

Um bate-papo com os treinadores Carlos Pimentel, Gabriel Magalhães e Marcelo Chamusca

O programa “Nas Quatro Linhas”, As experiências de treinadores, da CBN Ribeirão Preto, promoveu um bate-papo com treinadores brasileiros que atuaram em diferentes países, abordando suas experiências em contextos culturais diversos e as particularidades do futebol local. Os convidados foram Marcelo Chamusca, Gabriel Magalhães e Carlos Pimentel, que compartilharam suas vivências na Arábia Saudita, Tailândia e Japão, respectivamente.

Experiência na Arábia Saudita: Marcelo Chamusca, As experiências de treinadores, que recentemente comandou o Al-Faisaly, da Arábia Saudita, destacou os desafios enfrentados, como restrições na janela de transferências, dificuldades financeiras e a gestão de um elenco multicultural com jogadores de sete nacionalidades diferentes, incluindo tunisianos, portugueses, brasileiros, marroquinos, camaroneses e árabes. Ele ressaltou que, apesar das adversidades, conseguiu melhorar a performance da equipe, que brigou até as últimas rodadas pelo acesso, terminando em sexto lugar.

Chamusca também enfatizou a importância da adaptação cultural, As experiências de treinadores, especialmente em relação à religião muçulmana, que influencia diretamente a rotina de treinos e jogos. Ele explicou que os horários das cinco rezas diárias e o período do Ramadã, quando os atletas jejuam durante o dia, exigem ajustes na programação das atividades, que geralmente ocorrem à noite para respeitar o jejum.

Vivência na Tailândia: Gabriel Magalhães atuou como analista de desempenho e treinador em clubes tailandeses, como Buriram United, Nakhon Ratchasima e Chiangrai United. Ele descreveu a experiência como enriquecedora, destacando o convívio com atletas de diferentes níveis e nacionalidades, além da receptividade da população local e o respeito à cultura brasileira.

Magalhães ressaltou a importância do inglês como meio de comunicação, embora reconheça limitações na fluência dos atletas e a ausência de tradutores em algumas situações. Ele destacou que a continuidade do trabalho, com contratos de longo prazo, facilita o desenvolvimento tático e a adaptação dos jogadores. A questão familiar também foi mencionada como positiva, já que sua família acompanhou parte da experiência na Tailândia.

Imersão no futebol japonês: Carlos Pimentel, que trabalhou por sete temporadas no Japão, em clubes como Kashima Antlers, Reysol e Vissel Kobe, revelou que sua passagem foi marcada por seis títulos conquistados. Ele destacou valores culturais japoneses, como organização, disciplina e preocupação com o coletivo, que influenciam diretamente o estilo de jogo local.

Pimentel explicou que o futebol japonês é caracterizado por alta intensidade, dinamismo e um jogo posicional com funções bem definidas, marcado por marcação intensa e busca por profundidade, com pouca margem para improvisação individual. Ele também ressaltou a importância do aprendizado da língua japonesa para a comunicação e liderança, contando com intérpretes inicialmente e, posteriormente, desenvolvendo fluência suficiente para conduzir treinamentos e jogos.

Desafios da comunicação e liderança: Os três treinadores destacaram a importância do idioma na adaptação e liderança em ambientes culturais distintos. Chamusca utilizou o inglês como língua comum, contando com intérpretes para traduzir para árabe e francês, dada a diversidade do elenco. Magalhães também usou o inglês, embora reconheça que o idioma não é amplamente falado fora das grandes cidades na Tailândia, e destacou a necessidade de adaptação à cultura local para manter a motivação e o comprometimento dos atletas.

Pimentel relatou que no Japão o inglês não foi facilitador, sendo necessário aprender japonês para uma comunicação eficaz, especialmente em aspectos técnicos e táticos do futebol. Ele contou com o apoio de intérpretes no início, mas gradualmente tornou-se independente na comunicação.

Aspectos táticos e culturais do futebol local

Marcelo Chamusca observou que o futebol na Arábia Saudita tem evoluído taticamente, com jogadores que apreciam o jogo com bola e a movimentação, mas ainda apresentam dificuldades em aspectos como disciplina tática, especialmente nas transições defensivas. Ele ressaltou a semelhança entre jogadores árabes e brasileiros nesse aspecto.

Gabriel Magalhães destacou a influência do futebol japonês e coreano no estilo tailandês, caracterizado por boa relação com a bola, controle e passe, embora com limitações físicas em comparação aos brasileiros. Ele ressaltou a importância da confiança e do respeito à cultura local para o sucesso do trabalho.

Carlos Pimentel enfatizou que o futebol japonês é altamente competitivo, estudado e pragmático, com foco no coletivo e pouca margem para improvisação individual. Ele destacou a intensidade do jogo e o sistema posicional rigoroso, que exige rápida adaptação dos atletas, especialmente os latino-americanos.

Formação de jogadores e perspectivas futuras: Pimentel explicou que a formação esportiva no Japão está enraizada no sistema escolar, diferente do modelo brasileiro baseado em clubes. Essa estrutura massifica a prática esportiva e contribui para o desenvolvimento técnico e tático dos atletas. Ele também mencionou o êxodo de jovens jogadores japoneses para ligas europeias, especialmente na Inglaterra, o que tem aprimorado a qualidade da seleção nacional.

Sobre a liga saudita, Chamusca destacou o crescimento dos investimentos, que a posicionam como a segunda maior em movimentação de contratações, atrás apenas da Premier League inglesa. Ele mencionou a recente ampliação do número de estrangeiros permitidos e a aposta no futebol visando a Copa do Mundo de 2034, que será sediada pela Arábia Saudita.

Entenda melhor

As experiências dos treinadores brasileiros em países culturalmente diversos evidenciam a importância da adaptação cultural, linguística e tática para o sucesso no futebol internacional. A integração de valores locais, respeito às tradições religiosas e o domínio da comunicação são fundamentais para a liderança eficaz e o desenvolvimento das equipes. Além disso, o investimento crescente em ligas emergentes, como a saudita, demonstra a globalização do futebol e a busca por competitividade em novos mercados.

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