As mudanças do projeto de lei que cria regras para a proteção de crianças em ambientes digitais
O projeto de lei que estabelece regras para a proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais foi aprovado pelo Senado, gerando debates importantes sobre liberdade de expressão e segurança online. A proposta visa criar obrigações para fornecedores de plataformas digitais, fortalecer o controle de acesso por parte dos pais e combater a “adultização” precoce de crianças nas redes sociais. Para discutir essas questões, o Dr. Otávio Belardi, especialista no tema, compartilhou suas perspectivas.
A Legislação Brasileira e a Liberdade de Expressão
Existe espaço na legislação brasileira para discutir os limites da liberdade de expressão, especialmente quando entram em conflito com outros direitos fundamentais, como a proteção da infância. A liberdade de expressão não pode justificar discursos de ódio ou incentivo à violência. O objetivo da nova legislação é equilibrar a liberdade de expressão com a proteção dos mais vulneráveis, garantindo um cuidado especial para crianças e adolescentes em formação.
O Que Muda na Prática com a Nova Legislação?
O projeto de lei representa um avanço na especificação dos deveres das empresas de tecnologia, como redes sociais e plataformas de vídeo, em relação à proteção de crianças e adolescentes. Embora já existam leis que criminalizam conteúdos como pornografia infantil e incitação ao ódio, o foco atrásra é prevenir a exposição de crianças e adolescentes a conteúdos inadequados e disponibilizar mais ferramentas de controle para pais e responsáveis. As plataformas digitais serão obrigadas a adotar medidas para prevenir riscos e disciplinar a publicidade e o tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes.
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O Papel das Instituições e a Responsabilidade Compartilhada
A proteção de crianças e adolescentes é uma tarefa da família, mas também uma responsabilidade compartilhada pelo Estado, pela sociedade e pelas empresas privadas. Instituições públicas, como escolas e o Ministério Público, têm o dever de promover a educação digital e fiscalizar abusos. Empresas privadas, especialmente as plataformas digitais, devem garantir um ambiente seguro, com ferramentas para denúncia, controle de conteúdo e limite na coleta de dados. É crucial que todo o ecossistema entenda sua responsabilidade para respeitar o direito das crianças e adolescentes a um desenvolvimento saudável e seguro no ambiente digital.
A nova lei busca encontrar um equilíbrio entre a proteção das crianças e a necessidade de acesso à tecnologia, visando garantir um desenvolvimento adequado e seguro no mundo digital.