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As ‘preferências’ políticas de parte do agro ofuscam o brilho do setor?

Quem fala do assunto, que está em alta durante a Agrishow, é Bruno Silva na coluna 'De Olho na Política'
As preferências políticas de parte
Quem fala do assunto, que está em alta durante a Agrishow, é Bruno Silva na coluna 'De Olho na Política'

Quem fala do assunto, que está em alta durante a Agrishow, é Bruno Silva na coluna ‘De Olho na Política’

Um debate sobre a relação entre o agronegócio e a política ganhou destaque nas últimas edições de uma feira setorial, com editoriais defendendo que o setor deve se despartidarizar sem, contudo, se despolitizar. Especialistas ouvidos no evento alertam para os riscos de alinhamentos partidários estreitos e apontam caminhos para garantir políticas públicas mais estáveis e voltadas ao desenvolvimento.

Partidarismo, interesses setoriais e planejamento de longo prazo

Para representantes do setor, como Bruno Silva, do Instituto CBN, a politização é necessária e saudável quando permite clareza sobre interesses e a aproximação responsável entre empresários e agentes públicos. O problema surge quando empresas ou associações acabam criando “políticos de estimação”, comprometendo a capacidade de planejar além de mandatos de quatro ou oito anos.

O agronegócio depende de instrumentos públicos que exigem continuidade: linhas de crédito diferenciadas, subsídios estratégicos para exportação, prazos flexíveis para plantio e incentivos à adoção de novas tecnologias. Por isso, a ausência de diálogo com o poder público seria prejudicial. Porém, reforçam os entrevistados, esse contato não precisa se traduzir em adesão a um partido ou a um governo específicos.

Polarização na feira e efeitos nas eleições locais

A polarização percebida no evento refletiu em debates acalorados e, em alguns casos, em tensão entre participantes. Esse clima costuma contamin ar negociações, parcerias tecnológicas e a construção de novos mercados, atividades que exigem foco técnico e diálogo pragmático. Segundo os interlocutores, a utilização da feira como palanque para disputas partidárias beneficia atores que vivem dessa divisão, mas empobrece o debate técnico e as oportunidades de cooperação.

Além disso, o clima polarizado tende a influenciar a disputa por cargos locais, como prefeituras e cadeiras na câmara de vereadores, levando políticos regionais a se colarem a figuras nacionais para ganhar visibilidade, estratégia que pode ser equivocada se afastar decisões do interesse coletivo e da razoabilidade.

Como avançar rumo a políticas mais consistentes

Os especialistas defendem a despartidarização como alternativa que permite ao setor manter engajamento político sem depender de laços partidários estreitos. Para isso, recomendam diversificar canais de pressão e diálogo — Congresso, assembleias legislativas e instâncias decisórias em diferentes níveis — de modo a construir maior previsibilidade e políticas de médio e longo prazo.

Reconhecem também que nem todas as propostas serão aprovadas: interesses distintos convergem e divergem ao longo do processo legislativo, e a construção de consensos exige negociação e capacidade de mediação entre atores.

Em suma, o desafio apontado por atores do agro é equilibrar a necessária atuação política com a independência em relação a partidos e lideranças, preservando o potencial do setor de atrair investimentos, adotar inovações e contribuir para o desenvolvimento econômico sem subordinar suas estratégias a ciclos eleitorais.

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