João Túbero conversa com Gabriel Said sobre os trabalhos de Xabi Alonso, Thiago Motta e Roberto De Zerbi
Neste sábado, o programa “Nas Quatro Linhas” da CBN Ribeirão Preto debateu as estratégias de três treinadores e seus respectivos times: Xabi Alonso (Bayer Leverkusen), Thiago Motta (Bologna) e Roberto De Zerbi (Brighton).
Xabi Alonso e o Bayer Leverkusen: Invicto, mas com foco na solidez defensiva
A temporada 2023-24 do Bayer Leverkusen foi marcada pela invencibilidade na Bundesliga, culminando no título inédito, apesar da derrota na final da Liga Europa para a Atalanta. Alonso utilizou uma formação 3-4-2-1, com ênfase na recuperação de bola através de pressão pós-perda. A equipe sofreu poucos ataques, graças à eficiente posse de bola e à organização defensiva, que se transformava em um 5-2-3 quando a pressão inicial falhava. A compactação defensiva, com destaque para a coordenação entre os zagueiros, inibia o jogo entre linhas do adversário. No ataque, a movimentação fluida dos jogadores, com destaque para a atuação quase maestrina de Kai Havertz, criava espaços e oportunidades.
Thiago Motta e o Bologna: Fluidez e Versatilidade Tática
O retorno do Bologna à Champions League após 59 anos é um reflexo do trabalho de Thiago Motta. Sua filosofia valoriza funções em detrimento de posições fixas, com jogadores trocando de papéis constantemente. A equipe se destaca pela fluidez, triangulações e movimentação constante, buscando o “terceiro homem” para quebrar linhas de pressão. A versatilidade tática, com jogadores atuando em diferentes posições dentro da mesma partida (como Calafiore, que atuou como zagueiro, lateral e volante), exige grande interpretação e responsabilidade individual. Apesar do ritmo de jogo mais lento na construção, o Bologna acelera em momentos pontuais, demonstrando uma capacidade de leitura de jogo coletiva.
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Roberto De Zerbi e o Brighton: Atraindo a Pressão com um “Canto de Sereia”
Os times de De Zerbi são conhecidos pela construção de jogo impecável, com Guardiola chegando a chamá-los de melhores do mundo na saída de bola. O Brighton, com sua formação 4-2-3-1 (às vezes 4-2-4), utiliza seis jogadores na defesa para a saída de bola, atraindo a pressão alta do adversário. A metáfora do “canto de sereia” ilustra a estratégia: o time parece imóvel, mas, quando a pressão chega, a equipe acelera, explorando os espaços criados na intermediária defensiva e nas costas da defesa adversária. Essa estratégia, que cria contra-ataques artificiais, exige movimentos automatizados e bem ensaiados, e a participação ativa de um atacante entre as linhas de defesa e meio-campo para atrair a marcação.
Em resumo, as estratégias de Alonso, Motta e De Zerbi demonstram uma tendência no futebol contemporâneo: a capacidade de sair da pressão alta, combinando diferentes abordagens. A pressão pós-perda eficiente, mas condicionada a gatilhos específicos, aliada à versatilidade tática e à fluidez de movimentação, demonstra a crescente importância da interpretação individual e da responsabilidade coletiva para o sucesso em campo. A ideia de funções, e não posições fixas, parece ser o futuro do futebol, com jogadores cada vez mais polivalentes e capazes de se adaptar às diferentes situações de jogo.